Falou e disse #1

Agradeço moderação, julgo que existe uma prima afastada do Anónimo, que agora vive no Iémen, que tem 2 anos e lê o blogue.


19/01/2011 - Akha Hill (Diário na Ásia - #5)

Do despertar ao pequeno-almoço passam apenas alguns minutos. Mais uma vez dispensámos a salada. Não queremos arriscar nos legumes mal lavados/não cozinhados.

Vista do quarto
Enquanto retirava a alface da minha sandes, descobrimos um italiano castiço, o Matteo. Adepto da Juventus, professor de 27 anos na China. Trabalha entre 1 a 5 horas por dia, num máximo de 15 semanais. É bem pago e tem 6 meses de férias. Era apenas um estudante de mandarim em Itália, não tem nenhum curso. Chegou à China, deram-lhe casa e pediram-lhe para ensinar italiano. Quando não dá aulas, anda a viajar pela Ásia. Not bad.


Iniciámos o dia propriamente dito com trekking, vendo aranhas de tamanho considerável, vistas magníficas e uma outra aldeia perto de nós. Na primeira paragem, peguei na catana que a Amu me colocou à cintura e experimentei moldar bambu. Não é preciso muita força, mas sim jeito. Fizemos pauzinhos para o almoço que se aproximava, bem como uma espécie de canecas. Ajudámos em tudo, mas o verdadeiro trabalho foi dos nossos guias. Os meus pauzinhos até desenhos tinham! Eles fazem tudo com bambu! Servem para construir casas, andaimes, talheres, copos, panelas, tubagens, etc.. Impressionante o que o Homem consegue desenvolver e criar quando a necessidade surge.

                                                                  Uma planta que mexe

Voltámos ao trekking, até chegarmos ao nosso restaurante. Um campo mais aberto, com uma casa de palha e água por perto, um riacho. Com os ramos que apanhámos pelo caminho, fizeram uma fogueira. Com folhas de bananeira envolveram os legumes que seguiram para dentro do bambu, o qual colocado na fogueira e tapado com outras folhas, serviu de panela. Brilhante.

 Serviram-nos noodles, não são a minha paixão, mas estava um almoço aceitável, acompanhado com uma cana de omelete e outra de arroz. OK, não podia evitar, comi comida de cá, feita pela tribo, a partir da Natureza. E no final um chá para aconchegar. Não consegui comer tudo, mas experimentei e retemperei energias.

Até aqui andámos juntamente com um casal de franceses desinteressantes e outro de suíços mais agradáveis. São uma cambada de tótós. Não fosse eu e o Jota e isto não passava de apenas um momento espectacular.

O guia e a Mouy, uma estagiária de Gestão Hoteleira que vem do sul, ficaram com os tenrinhos, que continuaram a fazer trekking o resto do dia. A guia Amu e outra estagiária mais nova, ficaram connosco. Sorte a delas!

Entrámos na selva densa, por vezes um pouco mais assustadora. Nalguns momentos, olhávamos à nossa esquerda e tínhamos um precipício, através do qual o nosso trilho o evitava. Noutras alturas pensava em cobras gigantes, quais anacondas, a passarem ali perto de nós. Mas tudo tranquilo durante a nossa caminhada, apenas a guia mais nova caiu ou escorregou umas vezes.

Chegados a outra aldeia, um barco levou-nos à outra margem do rio. Os elefantes esperavam-nos. Eram muitos! E um era nosso.
Demos meia volta e entrámos rio adentro, já montados no elefante. Molhou-nos um pouco, pois com a sua enorme tromba, aproveitou para se refrescar, atirando água para o seu próprio corpo. O rio era pouco profundo, talvez metro e meio. Saímos e passeámos pela aldeia e, através da condução que o guia fazia com os seus pés nas orelhas do elefante, mandou-o parar em frente a uma bananeira. O elefante posicionou-se, levantou a tromba e ao ouvir um imponente sinal, enrolou-se num ramo e aplicou-lhe um golpe seco, arrancando-o por completo. Foi-se alimentando até regressarmos à base, onde nos esperavam as guias.

E voltei a ver e a sentir algo completamente novo: cobras, grandes, envoltas em mim. Segurei nelas e posso dizer que gostei. Uma delas era grande e volumosa, a sensação dela a mexer-se pelo meu corpo e principalmente pelo meu pescoço foi realmente indescritível.

O barco levou-nos de regresso à outra margem e reiniciámos o trekking durante kilómetros, durante horas. Passámos por aldeias perdidas em nenhures, em inclinações tão íngremes que, a meio do caminho, tivemos de fazer bengalas para nos ajudarem a subir.


Foi durante este tempo que se criou uma ligação forte com Amu. Falámos da nossa vida, da dela, do que estávamos a viver, das diferenças culturais, de relações, da vida. E acreditem, foi tudo verdadeiro. Por esta altura, e perdoem-me a imodéstia, já todos, em Akha Hill, sabiam que não estavam perante os vulgares turistas. Brincámos muito, rimos, fomos em silêncio. A caminho do nosso último destino, pus toda a gente a cantar o "Ninguém pára o Benfica" por entre a selva. Disse que devíamos cantar o hino Português. E assim fizémos, até chegarmos finalmente à bonita e imponente cascata. A água corre fria e com vigor, sentindo-se a Natureza no seu refrescante esplendor.

                                                    Ninguém pára o Benfica...nem na selva!

Com muito cansaço à mistura, chegámos rapidamente a Akha Hill, onde nos cruzámos novamente com a Mouy, a outra pessoa com quem tínhamos criado empatia. Mas agora era altura de tomar um banho e trocar de roupa.

Jantámos com o Matteo, mas rapidamente o Tao, a Amu e a Mouy se juntaram a nós. A conversa continuou a fluir, e entretanto fui buscar duas rosas e ofereci-as às duas mulheres mais bonitas de Akha Hill. Vocês já sabem quem são: a nossa guia, dos seus respeitosos 40/50 anos, abraçou-nos. A nossa estagiária, nos 20, ficou embaraçada.
Tao e Amu
A nossa rosa para a Amu
O dia chegou ao fim, depois doutra noite excelente. É hora de ir para a cama com mosquiteiro.

Em campo, 1-0. Em comunicados, goleada.

«A boa e a má informação

Comunicado do Sporting: “O Sporting Clube de Portugal lamenta as condições proporcionadas aos seus adeptos no Estádio da Luz. Desde o início que o Benfica tinha conhecimento, face ao número de bilhetes vendidos, da quantidade de adeptos que iam estar presentes no Estádio. Colocar cinco pontos de acesso para a revista de todos os adeptos revela, uma vontade expressa de provocar uma entrada tardia, gerando tensões completamente evitáveis”.


Os factos:
No controlo de bilhética e revista de segurança o número de ARD’s foi igual ao que sempre tem sido utilizados, em anos anteriores, nos chamados jogos grandes ou denominados de alto risco, 23.

- 1 supervisor + 2 agentes especializados + 5 ARD’s femininos + 15 ARD’s masculinos, num total de 23 ARD’s.
- 5 pontos de segurança para controlo de bilhética, com 3 ARD’s masculinos e 1 feminino em cada um deles a passar revista.

No dia do jogo, a “caixa” de adeptos do Sporting CP chegou ao estádio pelas 18H50 (ou seja com 35 minutos de atraso, já que eram esperados às 18H15. Se tal tivesse acontecido todos os adeptos teriam entrado antes do início do jogo.
Os últimos adeptos do Sporting CP a entrar fizeram-no cerca das 20H45 (30 minutos do jogo decorrido). O tempo total de revista aos adeptos visitantes foi de 1h55m.

Na reunião de segurança, realizada 3 dias antes do jogo e com todas as entidades envolvidas, consta o pedido do SL Benfica no sentido de que os adeptos do Sporting CP chegassem ao estádio até à abertura de portas e nunca depois, precisamente para evitar este tipo de reclamações.

Comunicado do Sporting: Paralelamente, as condições dispensadas aos adeptos que pagaram o seu bilhete são no mínimo lamentáveis, quer pela falta de acesso de alguns sectores a unidades sanitárias, quer a bares, não sendo possível, sequer, comprar uma garrafa de água”.

As casas de banho e bares na zona da equipa visitante estão dentro do que está regulamentado pela UEFA e estiveram sempre disponíveis.

Comunicado do Sporting: “Foi claro, para quem esteve junto dos adeptos, que a rede colocada prejudica claramente a visão”.

Se assim fosse, mas não é, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional não teria aprovado a referida estrutura. Afirmar isto é chamar incompetentes aos profissionais da Liga.

Comunicado do Sporting:“Para além disto, constatou-se uma sobrelotação do espaço disponibilizado aos adeptos do Sporting, indiciando assim que o número de lugares disponíveis era bastante inferior ao dos bilhetes vendidos para aqueles mesmos sectores”.

1. Segundo os regulamentos, o Sport Lisboa e Benfica é obrigado a ceder a equipa visitante 5% da lotação do estádio, o que corresponde a 3250 bilhetes.

2. O nº total de lugares da bancada disponibilizado foi de 3425 (mais 175 do que o exigido) dado que o Sporting CP repetidamente solicitou mais bilhetes, resolvemos ceder o máximo possível em condições de segurança.

3. No entanto, como bolsa de segurança, não foram emitidos nem utilizados os 536 lugares correspondentes às 6 fiadas inferiores destes 7 sectores, pois servem para garantir a actuação de ARD´s e agentes da PSP.

4. Além destes 536 lugares, foram também retirados de venda as 3 fiadas laterais de cada lado da bancada visitante: 117 lugares do Sector 35 e 75 do Sector 27, no total de 192 lugares.

5. Isto é, tirámos de venda, por motivos de segurança dos adeptos visitantes, um total de 728 lugares.

Comunicado do Sporting:"É lamentável, pelas razões referidas, que um Clube como o Sport Lisboa e Benfica, receba a equipa visitante deste modo inqualificável. O espectáculo deve registar-se dentro de campo e não em atitudes exteriores, que pouco dignificam o futebol. O Sporting Clube de Portugal reitera que, face às condições encontradas, a decisão da Direcção de se juntar aos adeptos, e de sentir directamente as condições que lhes eram facultadas, foi a mais acertada, e as palavras proferidas pelo vice-presidente Paulo Pereira Cristovão expressam bem a nossa indignação”.

No dia 17 de Novembro, o Engº Carlos Miguel, director de segurança do Sporting Clube de Portugal, a convite do Sport Lisboa e Benfica, visitou a “caixa” de segurança e as condições existentes no local, não tendo colocado nem durante a visita, nem após a mesma, qualquer reserva em relação a tudo quanto atempadamente visitou.

No dia 26 de Novembro (dia do jogo) o senhor Eurico Gomes (Secretário Técnico do SCP) visitou a bancada 2h30 antes do inicio do jogo, acompanhado pelo Director de Segurança do SLB, pelo Delegado da Liga e respectivo Supervisor (Sr. Manuel Aranha). Não teceu qualquer comentário crítico quanto às condições apresentadas.

Comunicado do Sporting: “O Sporting Clube de Portugal tem rosto, o seu vice-presidente este sábado representou-o, e não se esconde atrás de declarações de funcionários da comunicação”.

Uma verdade: João Gabriel é funcionário do Sport Lisboa e Benfica, mas sendo funcionário tem toda a legitimidade para falar em nome do Clube. Aqui ninguém se esconde atrás de ninguém, simplesmente há uma estrutura e ela funciona.

Comunicado do Sporting: “Por outro lado, a Direcção do Sporting Clube não se revê nos danos causados após o jogo e igualmente condena o facto de, ainda nesta mesma noite, ter sido atirado um “very-light” para a cobertura do seu estádio”.

“Não se revê” é diferente de condenar. Não se ouviu da parte do vice-presidente do SCP, presente no Estádio da Luz, nenhum tipo de condenação em relação aos actos praticados por um grupo de marginais e que resultaram nas agressões verificadas a bombeiros e nos vários incêndios que foram ateados. Nem sequer, na fase mais crítica, um mero apelo apaziguador.

Aliás, ficou claro para todos que não se tendo verificado nenhum incidente antes e durante o jogo, as acções violentas apenas acontecem depois da declaração feita, e transmitida em directo pelos vários meios de comunicação social, do senhor Paulo Pereira Cristovão.

Por fim, comparar os danos causados no nosso Estádio, com um eventual lançamento de um ‘very-light’ para a cobertura do Estádio de Alvalade só pode ser uma alusão de mau gosto.

O Sport Lisboa e Benfica não confunde a Instituição e a massa associativa do Sporting Clube de Portugal com os marginais que levaram por diante as acções que são conhecidas e cujas graves consequências ainda estão por apurar.

Em anexo segue mail com a formalização da devolução dos 46 bilhetes efectuada pelo Sporting Clube de Portugal e que o seu “rosto” desconhecia.»


Com o mal dos outros posso eu bem

Mais do que o resultado do dérbi de ontem, mais do que as atitudes vergonhosas, incenciárias, irresponsáveis, ridículas, mentirosas e lamentáveis dos dirigentes e adeptos dos viscondes (que ocorreram antes, durante e depois do jogo), vou-me debruçar sobre um relato que ouvi antes do jogo e duas cenas presenciadas por mim.

- Adeptos do Benfica roubaram um cachecol a uma sportinguista que passava pelo complexo do Departamento de Sócios/Adidas/MediaMarkt. Pegaram-lhe fogo.
- Adeptos do Benfica quiseram meter-se com um senhor mais velho porque depois do jogo trazia o cachecol verde e branco ao pescoço.
- Adeptos do Benfica insultaram um adepto sportinguista depois do jogo, porque vinha trajado à Sporting.

Sinto-me envergonhado. Profundamente envergonhado. Isto não é futebol. Mas pior, isto não é o meu Clube.
Fico triste de saber que existem pessoas assim. Mas eu sei que existem. Agora...benfiquistas assim?! Uma vergonha. Insisto, uma vergonha.

Com certeza estes anormais não têm princípios nem educação. E com certeza, não devem ir aos jogos fora, porque se fossem, não gostavam de serem tratados assim.

Sempre vi adeptos do Sporting na Luz. E sempre sem problema. Ontem mesmo tinha ao meu lado uma sportinguista. Quanto muito eu chateio-os porque sou um absoluto descompensado enquanto vejo o meu Benfica. Mas não entro por estes caminhos. Nunca.


Enquanto não tivermos polícia interventiva e que apanhe esta gente que estraga o Desporto e a Sociedade dentro e fora do Estádio, as coisas não mudam. Até lá, temos que ser nós, sócios e adeptos, a defender o bom nome e o respeito que o nosso Clube sempre teve.

Para mim, esta gentinha era toda presa. E podiam ficar numa cela com os inergúmenos que pegaram fogo ao Estádio.
Estes heróis alavancados pelos milhares de adeptos do mesmo clube não têm um pai, irmão, amigo ou etc. que seja do rival? 

Desporto não é violência.

E os anormais dos lasers que sejam identificados também.
Quero é o meu Clube limpo e respeitador, que saiba receber.

As atitudes inqualificáveis dos viscondes? Com o mal dos outros posso eu bem.

E para esta noite...

CARREGA BENFICA!!!
Eu vou lá estar. E tu?




Que D'Eusébio esteja connosco.


18/01/2011 - Banguecoque - ChiangRai/Akha Hill (Diário na Ásia - #4)

Com 4 horas de sono, arrumámos a mala e fomos para o aeroporto. Desta vez o taxista tinha taxímetro, a viagem ficou por menos de metade do preço em relação à chegada. É dia de sair da capital da Tailândia e seguir para norte, ChiangRai.

O dia não começou bem. Percebemos que afinal não estava disponível o voo que queríamos  fazer de LuangPrabang (Laos) até Hanoi (Vietname) daqui a dias, por isso, após alguma confusão incial, e já depois de termos feito o check-in, decidimos arriscar a compra do bilhete de avião pela Lao Airlines. É a única companhia aérea que faz este voo no dia em que necessitamos, mas está mal cotada devido a alguns acidentes ocorridos no passado.

Tipo nós a entrar no avião!
Chegados ao balcão da Lao, deparamo-nos com uma funcionária pública portuguesa no atendimento ao cliente. Lenta, sem prioridades, sem se focar. Nem entendia bem o que queríamos. Primeiro disse-nos que em ChiangRai não era possível marcar voo, tinha de ser ali. Acedemos e pedimos urgência, o avião partia em 20 minutos e ainda tínhamos de fazer o embarque. Ao segundo telefonema decidi espreitar para trás do balcão...apercebi-me que nem computador tinham! Diabos me carreguem, mas se nem computador têm, como serão os aviões? Sem asas?! Foi aí que dissemos que íamos embora, ao mesmo tempo em que ela nos dizia que podíamos comprar o bilhete em ChiangRai. Grandessíssima... Tenho um nome para ela, mas vou respirar fundo. É que tivemos de ir a correr duma ponta do aeroporto...à outra. Mas à séria, a sprintar com as mochilas. Fez-me lembrar o MacGuyver a escapar-se pelo portão que se estava a fechar. Aparece no genérico essa cena!

Acabei de ver o Cabeça de Cotonete montado num rinoceronte a passar pela cabine do avião. O Malarone dá mesmo efeito.

Chegada ao aeroporto de ChiangRai
A viagem até ChiangRai correu bem. Aterragem perfeita, mal se sentiu. O aeroporto é bem pequeno, e à nossa espera estava o Senhor Amor, pronto para nos levar para o seu hotel/escritório no centro da cidade. Ele é o dono do conceito Akha Hill, que já lhe valeu inclusivamente um prémio turístico há pouco tempo, o melhor do género na Tailândia.


Almoçámos e fomos na caixa aberta dum jipe, que nuns bons 45 minutos nos tirou da cidade e nos embrenhou pela selva, através duma vista magnífica que só foi possível apreciar para quem ia lá em cima, ao sabor do vento. Deu para pensar um pouco na guerra que decorreu aqui "ao lado". Era realmente muito complicado vencer vietcongues nestes tipo de territórios.
O jipe, antes da saída de ChiangRai
Saíndo da cidade, na caixa aberta do jipe

Akha Hill é fantástico. Os Akha são uma tribo antiga, originária da China, que entretanto se foi expandido para vários países, tal como a Tailândia. Alguns destes membros que acabámos de conhecer são de Mianmar (antiga Birmânia), outros daqui. Têm uma língua própria, interessante.

A chegada ao topo, ou quase
Estamos na montanha, uma vista belíssima. Esta é uma aldeia perdida na selva, com casas de madeira e bambú sobre as encostas. Promete muito para amanhã.

Estivemos depois à conversa com o Tao, responsável enquanto cá estamos. Um tipo simpático, boa onda. Trabalha todos os dias nisto, como quase todos, julgo eu. Já somos amigos no Facebook! É católico, vem de Mianmar. Aqui na Tailândia, são quase todos muçulmanos. 5% são budistas, e menos de 1% são cristãos. Em Akha existem alguns.
A sala de estar/restaurante da aldeia
Pelo meio experimentei a massagem deles. Rudimentar na atmosfera: no segundo piso da casa principal, televisão ligada, pessoas a irem à casa-de-banho, um colchão no chão e eu completamente vestido. Mas foi bom. Levei uma tareia, é uma massagem que, nalguns momentos, tem um "cheirinho" a osteopata. Vários ossos estalaram!
Massajado e bem jantado, fui dormir no bungalow...

O quarto, visto de fora
A mansão, por dentro


Actividades sexuais

O meu dia-a-dia de trabalho vai ser repleto de actividades sexuais. Repleto. Durante a manhã vou fazê-las com carinho. De tarde mais à bruta.
Ahn? Estou a ouvir vozes? Querem saber o que são actividades sexuais?
Basicamente, e perdoem-me a expressão, é o que é fodido fazer: pedir informações, organizá-las e fazer cartas para os tribunais.


A minha primeira paixão

Adora de seu nome. Já alguém chegou lá?

Hoje recebi um e-mail acerca do genérico do He-Man. Boas recordações. Mas mal vi aquele calmeirão com cabelo comprido à tijela, loiro, de truces e sempre montado num animal, o meu instinto levou-me logo para a sua bela irmã.

A Princesa Adora só mais tarde percebeu que, para além de ter um palmo de cara e um corpinho de fazer inveja a qualquer outro desenho animado, também tinha poderes. Super poderes. Era portanto, uma família cheia de qualidades. 
Quando Adora empunhou a espada pela primeira vez, e abriu os seus pulmões para gritar "by the power of Grayskull", transformou-se em She-Ra, a mulher mais poderosa do Universo. Dessa forma conseguiu até arranjar uma série só dela, deixando o seu irmão, o sueco com traços de bodybuilder, ao abandono.

A minha primeira erecção terá sido com Adora. A menina certinha, sem decote.
Versão Adora

A segunda terá sido com She-Ra. A popozuda que se vestia com saia curta, botas e decote proeminente.
Agora como She-Ra, com pernão...

E vocês? Tirando a Professora de Ciências do Secundário, tiveram alguma grande paixão na infância dos desenhos animados?


Velocidade Furiosa

Quantos de vocês não andaram já a 190 km/hora? 

Certo, este blogue não devia ser para estas coisas, mas como é meu e ninguém se manifesta, ponho aqui o que eu quiser. Portanto faço agora um pouco de serviço público.

O programa britânico "Fifth Gear", quase tão aclamado quanto esta chafarica, realizou um teste com um Ford Focus. Esse teste consistiu em percebermos o que sucede a um automóvel que, a cerca de 190 km/h, embate num muro.
Vocês dizem: ah, mas se eu for a essa velocidade, não vou contra um muro, vou contra outro carro qualquer. E eu digo: mas és um granda anormal na mesma. Como eu, aliás, que já conduzi depressa.
Sim, é verdade, a vida é sempre um risco. Pode até dar-me uma coisa enquanto escrevo este tex.................................

OK, não sucedeu nada, foi só uma comichão no nariz. Mas a verdade é que se conseguirmos diminuir o risco, melhor.

Sem mais delongas, deixo-vos o vídeo. É curto, e mal começa, vêem o impacto. 


Conduzam com cuidado. Preciso de vocês para me darem visualizações aqui no tasco.

17/01/2011 - #2 Banguecoque (Diário na Ásia - #3)

O pequeno-almoço é muito bem apresentado, bom para os parâmetros europeus, no entanto não nos sentimos seguros com tudo o que nos põem à frente.
Pequeno-almoço

Tratámos dalgumas marcações de hotéis e passeios pela selva e abandonámos o hostel ainda cedo.
Criança fazendo hula-hoop!

Seguimos a pé e de barco até ao Wat Arun, um templo que está presente na outra margem do Rio Mae Nam Chao Phraya. Representa a ressurreição desta cidade. É alto (dá para subir até mais de meio da sua altura) e muito íngreme. É necessário cuidado, especialmente para os mais velhos. Faz novamente lembrar as tais pirâmides que relatei anteriormente.

Margem do embarque
Atravessando até ao Wat Arun
"Espadachim" no Wat Arun

Wat Arun (escadas minúsculas, à direita)

Através duma (quase) lancha rudimentar, fomos até Tak Sin Bridge, tendo, pelo caminho, tido oportunidade de ver a cidade doutra perspectiva: a pobreza misturada com o desenvolvimento. A casa "presa por arames" ao lado do hotel de 6 estrelas. Sim, 6 estrelas.
Ricos Vs Pobres

O SkyTrain, uma mistura entre comboio e metro, leva-nos por cima do caótico trânsito até ao Estádio Nacional, onde ao longe vimos um combate de lutas marciais. Mas apesar dos cânticos de apoio ao Benfica terem sido entoados (inclusivamente o hino, sem pausas e por inteiro), o nosso destino era o MBK. Merece um parágrafo, com licença.
Combate, junto ao Estádio Nacional, ao lado do MBK

Nunca tinha visto nada assim. Já tinha ouvido dizer, tentava imaginar, mas é inexplicável: um centro gigante, de 5 ou 6 pisos, comprido, só com tecnologia, relógios, malas, roupa. Umas coisas são de marca, outras são imitações, outras ainda são realmente originais. É de se perder a cabeça. Só um problema de comunicação no cartão multibanco/crédito vos poderá salvar.

Em Silom Road está a melhor casa de massagens por onde passámos.
Uma aromaterapia no final do dia vem mesmo a calhar. A Luk é dos poucos tailandeses que consegue manter uma conversação em Inglês. Nunca saiu do País, como quase ninguém. Simpática e educada, mas sem final feliz, suas mentes pecaminosas.

Fomos para o hotel para descansar. E pensar que esta cidade é realmente diferente. Suja, onde não há regras de trânsito, mas onde não vimos acidentes, buzinas ou ambulâncias. Muita gente na rua, ratos, gatos, cães. Diversos canais, qual Veneza do Oriente. A cidade onde tudo se regateia.


Preservativos

Imaginem que, num assombro de infelicidade e contra-senso probabilístico, o Sporting ganha ao Benfica.
Chegam a casa, completamente destroçados, sem paciência para nada, com vontade de pontapear aquela peça de decoração tão irritante que a vossa mulher ali colocou e tanto odeiam. Chegam e não querem cá brincadeiras, porque não faz sentido haver boa disposição depois duma catástrofe destas.

Eis que a vossa amada vos aparece em lingerie e diz: "Robertão, bem te disse que ia ganhar...". 
Que pensam vocês? O mesmo, claro: "ou esta gaja se cala, e rápido, ou não me vê o Menir durante uma semana".
Agora imaginem exactamente a mesma situação, mesma frase foleira, mesma mulher, mesma lingerie. Mas com ela a segurar no preservativo "Vai um dérbi?". E agora???

É QUE AGORA VAI SER MESMO À BENFICA!
De repente a vida faz sentido...


À toureiro!

Falou e disse.
É para os compêndios, para os anais. Salvo seja.


É de gente empreendedora como esta que precisamos. Longe daqui.

Cristiano Vs Messi

A equipa da FPF ganhou ontem à Bósnia. Desta vez não foi num campo de minas, foi no Estádio dos grandes apuramentos. A Luz, claro. O Europeu 2012 na Polónia/Ucrânia está garantido. Nice.
Cristiano fez uma grande exibição, com dois bons golos. Nada melhor do que aproveitar esta onda portuguesa para lançar aqui, e a pedido de muitas famílias, a derradeira, justa, e perfeitamente isenta, análise entre qual será o melhor jogador do Mundo: Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi!

Será então Cristiano, o Azeiteiro, o melhor jogador do mundo? Claro. Depois de Messi.

E pronto, já que estamos todos de acordo, dou por encerrado o debate.


16/01/2011 - Banguecoque (Diário na Ásia - #2)


O AirForce One pousou uma roda e depois a outra. Oscilou, vibrou, guinou e terminou com uma vénia, a agradecer os aplausos dos passageiros. O Jota benzeu-se. E ambos cumprimentámo-nos, por percebermos que afinal era verdade: estávamos no outro lado do mundo.

Ao passarmos a alfândega, a rua. Uma fila interminável de táxis azul-cueca, rosa, verde-cueca (se isto existir). Todos antigos, todos Nissan, Toyota, Honda.

As cores dos táxis

Na estrada, lembro-me do Velocidade Furiosa (yep, aquela trampa de filme). Carros antigos a serem ultrapassados por outros igualmente bimbos (OK, nem todos) mas de alta cilindrada.
Foram 1100 bhat (é a moeda tailandesa, 100 bhat = € 2.4) até perto do hostel. Não sabemos se fomos enganados. Uns € 26 para 35 km's.
O táxista não falava uma palavra de Português, foi difícil comunicar. Por isso deixámo-lo enganar-nos e seguimos até ao hostel, o Baan Dinso. Muito bom aspecto, bonito.

Ainda não eram 9 horas, o quarto só mais tarde estava disponível. Receberam-nos com um copo de água e outro doutra coisa igualmente má. Descemos para a sala da internet, pousámos as malas e abrimos a janela: era preciso desfazermo-nos dos líquidos.
Fomos à net e após a primeira pesquisa em português, pensámos terminar a viagem. Cabeça de Cotonete, também conhecido como José Eduardo Bettencourt, tinha-se demitido da Presidência da Agremiação. Um tipo afasta-se do País por um dia e fazem-nos isto?! ...
Entretanto não havia nada a fazer, a não ser dormir no chão. Após uma hora, acordaram-nos, tínhamos o quarto livre. Pousámos as coisas e caímos na cama durante hora e meia.

Já com repelente colocado, saímos a pé por Banguecoque.

Andámos numa das Avenidas principais, a Giant Swing, cheia (!) de gente na rua, na estrada.
Vende-se tudo. You name it. A cidade é suja, não existe um caixote do lixo. As pessoas cospem no chão, sente-se a humidade, a poluição, a probreza dissimulada.
Existem constantes referências ao Rei da Tailândia e, mediante o local de passagem, as pessoas benzem-se ou fazem um sinal religioso que desconheço.
Vimos o Grand Palace por fora, contornámos a sua muralha e acabámos por entrar no Wat Pho, o templo que tem um Buda de ouro gigante, deitado.
Mas atenção, aqui no Oriente, os sapatos ficam sempre à porta.

No Wat Pho

A arquitectura da cidade é diferente, os monumentos e templos têm um género de pirâmide comprida mas de base pequena.
Arquitectura na cidade

Continuámos a pé e ajudámos estudantes locais que estudavam Inglês, uns através de questionários, outros de filmagens. Poderei neste momento estar no YouTube.

Entretanto já vi diversos animais em bancas, tachos e jarros de vidro.
E o problema é que é tudo para comer

Não me perguntem...

Estivemos no início do Night Market, uma imensidão de gente, muita sujidade e muita bugiganga para comprar.
A fome apertava, por isso experimentámos o Tuk-Tuk para levar-nos até China Town.
A Avenida é cheia de cor, de painéis luminosos. Jantámos pato. Um prato ocidental com pitada de oriental. Ou vice-versa. Não está mau para começar.
China Town

O próximo Tuk-Tuk, um meio de transporte ao velho estilo Ape 50 (caixa aberta) da Piaggio, levou-nos até PatPong, um ícone desta cidade. E porquê um ícone, pergunta o prezado leitor. E pergunta bem, digo eu. Um ícone na medida em que levaram-nos a um bar onde se exibiam artistas que faziam corar de vergonha os do Circo du Soleil. Vi senhoras, algumas púdicas, a laborarem com lâminas, guizos, cigarros, bolas de ping-pong e etc. com um profissionalismo irrepreensível. É por isto que vale a pena vir ao outro lado do mundo.

O Tuk-Tuk levou-nos ao hostel e demos por terminado o dia.