20/01/2011 - Akha Hil - ChiangRai - ChiangKhong - LuangPrabang (Diário na Ásia - #6)

Que manhã difícil. Tínhamos que nos despedir deste local e desta gente.
Ame dirigiu-se a nós e disse: "You are good men". E apertou uma pulseira no pulso de cada um. Fiquei com os olhos brilhantes, de orgulho e de emoção. Estava lá mais gente para ir embora, e não houve nada disto.
Ame foi a primeira a ir, ia novamente para a selva. Abraçou-me com força e disse que ia sentir saudades nossas. Fiquei em lágrimas, ela disfarçou as suas e seguiu montanha acima, parando mais à frente para dizer o último adeus. E aí sim, deu-me vontade de chorar como uma menina. Mas não cheguei a soluçar.
Mouy veio ter comigo, disse-me para não chorar nem estar triste. Eu disse que não estava triste, estava feliz. E ela disse que se ia lembrar de mim, que ia sentir saudades. A minha reacção foi "really?!", porque Mouy sempre foi mais reservada. Mas assentiu. Quis abraçá-la mas riu-se logo e disse que não. Afastou-se com a sua t-shirt "I think I love you" (?!) e nós partimos no jipe do Tao. Foi duro. Mas tínhamos de continuar a nossa jornada.

Enquanto íamos até ChiangRai, local onde iríamos apanhar o autocarro até perto da fronteira com o Laos (em ChiangKhong), Tao contou-nos os seus planos, um pouco da sua vida. Foi criado num centro de acolhimento e agora tem como objectivo abrir a sua própria empresa de produção de excursões, mas onde teria um centro de apoio às aldeias que estão "perdidas" na selva, onde os meninos não têm hipótese de ter uma vida melhor.
Contou-nos que não existe seguro de saúde, quem está registado e tem o BI deles, pode ser atendido em qualquer hospital público, mediante o pagamento de 30 baht, independentemente de ser uma constipação ou uma perna partida. E podem pagar a prestações.
Era altura de nos despedirmos do Tao e apanhar o autocarro até ChiangKhong, numa viagem de duas horas, sem nada de relevante, excepto os meus pensamentos estarem em Akha Hill, com Ame , Mouy e Tao.
O Laos do lado de lá
Iniciando a travessia














Em ChiangKhong dividimos um tuk-tuk com um francês de 21 anos, o Jean, que tinha estudado um semestre em Singapura e estava a aproveitar para passear. Ao chegarmos à fronteira com o Laos (o Rio Mekong, que vem desde a China e envolve muitos destes Países), apanhámos os 3 o barco até à outra margem, deixando para trás a Tailândia rural e a condução à esquerda.
Chegada ao Laos
Os serviços de imigração são estupendos. Parece que estamos num filme. Ninguém fala Inglês. Com tudo tratado, percebemos que a noite em PakPeng, aldeia despida, apenas usada para pernoitar entre os monges, estava perdida. Já não havia nenhum "slow-boat" (6 horas até PakPeng - dormida - 6 horas até LuangPrabang, cidade coração do Laos) disponível, por isso, e porque ficar uma noite naquela feia localidade fronteiriça não nos agradava, e o "speed-boat" ser um convite ao final antecipado da viagem (morrem pessoas constantemente, a viagem é feita com capacetes e muita pancada no corpo, os barcos viram-se a grandes velocidades), optámos por apanhar o autocarro, o último do dia. Despedimo-nos do franciú. Mas sem stress. Ele tinha trejeitos e gostou mais do Jota.


O super VIP para LuangPrabang
Uma televisão (não funciona) presa com cordas
Saímos às 17h locais, fazendo uma estrada pelas montanhas (o País é quase todo assim), daquelas que vos fazem pensar que estão a subir a Serra de Sintra ou da Estrela mas sem asfalto e sim terra batida, com precipícios enormes à direita, com nevoeiro, em estradas cheias de curvas sinuosas e onde em 80% do caminho não há rede móvel. E avistámos 2 camionetas caídas e incendiadas. Mais um extra; 14 horas e meia de viagem, pela noite dentro, com 1465 paragens para os sacristas urinarem. Mas pronto, já se conduz à direita...
Quase não dormimos, chegando ao destino às 7:30 do dia seguinte.

Acabados de chegar

5 comentários:

  1. Fantástico! Tenho as mesmas pretensões, espero visitar a maior parte da Ásia em vida (e o resto depois de morto)!

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  2. "A minha reacção foi "really?!"

    É pá ...

    Não sabia que dominavas fluentemente a língua do "Shakes", porreiro pá ...

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  3. Vitto,

    É um gosto ver-te por cá!
    Eu em vida já vi alguma coisa, depois de morto conto ver muitas mais. Já fiz uma lista e tudo.
    Tens de lá ir! Vai vendo os posts da viagem. Abraço!

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  4. Podes ter a puta da certezinha que vou acompanhar os teus posts! Já o faço à muito, apenas não tenho comentado! Mas este mereceu-me comentário, não que os outros não fossem suficientemente bons, mas deixei de comentar bola :)

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