23/01/2011 - Halong Bay (Diário na Ásia - #9)

Franco, Óscar, Sidnei, Nicolás. Obrigado. 4-2 ao Nacional. É bom saber que, mesmo sentindo a nossa falta, continuam a ganhar.

Acordámos uns minutos atrasados, razão pela qual fomos novamente premiados pela hospitalidade dos locais: um saco de plástico para cada um, com: 2 águas, 2 bananas e uma sandes muito muito boa (tipo Club Sandwich), pois o motorista que nos ia levar a Halong Bay já tinha chegado. Arrancámos no shuttle bus (como eles chamam a uma carrinha de...7 lugares) com mais alguns turistas, tendo uma viagem de 2 horas até ao destino. Pelo meio o habitual: contra-mão, buzinas, 2 faixas transformadas em 4, etc.. Não fiquei para ver isso tudo, uma vez que decidi dar umas cabeçadas na atmosfera. Tinha dormido pouco...
A carrinha deixou-nos junto ao porto, onde fomos recebidos com um refresco, amendoins e óstias. Deviam ser umas 11:30.

Estavam vários junks ("troncos", barcos) perfilados, três iguais, os primeiros, claramente os melhores. O nosso era um desses, um "Paradise Cruise".


Ao entrarmos caíram pétalas do céu. Não foi milagre, foi uma vietnamita. Um luxuoso barco, talvez do tamanho dum cacilheiro. Isso mesmo. A nossa cabine é no 2º andar, bonita e com uma varanda. Tivemos logo um almoço no 3º andar, com alguns 8 pratos diferentes, todos bons. Enquanto isso, o barco iniciou viagem.

Parece que estamos noutro planeta. Eu não disse País ou Continente, eu digo Planeta. P-L-A-N-E-T-A. Porque jamais conseguiria imaginar algo assim, tão belo e diferente. Imaginem uma extensão enorme de montanhas, kilómetros e kilómetros delas. Montanhas verdes, lindas. Do género do Laos profundo. Agora imaginem que, dalguma forma, todo esse imenso espaço foi ocupado por mar, o Mar do Sul da China.
Ao olharem em qualquer direcção, irão ver dezenas de ilhas, que na verdade são montanhas cobertas de água. E no entanto parece que estamos num lago gigantesco. As fotografias não descrevem o que está perante os nossos olhos.

O barco foi navegando até à primeira paragem, a Surprise Cave, ou Hang Sung Sot. Fomos até lá num barco de apoio.


A caverna realmente é engraçada, mas nada transcendente se pensarmos em Mira D'Aire ou assim. A nossa guia ia apontando a algumas partes do rochedo, dizendo que ora era um dragão, uma tartaruga, etc.. A horas tantas, e no meio dos turistas que iam connosco, tirei o apontador laser da guia e apontei para uma parede, perguntando o que ela via (tal e qual ela nos perguntava a nós). Ela obviamente não via nada, e eu disse-lhe "é um elefante português!". Risada geral. Mas a guia voltou a fazer das suas adivinhas, ao que retorqui "are you on drugs?!". Tinha conquistado a "plateia". Nisto, um casal de ingleses, outro de canadianos e outro da Terra do Tio Samuel iam-se aproximando de nós.


De regresso ao barco e à vista de cortar a respiração, ficámos à conversa com os tais casais, criando-se maior empatia com os ingleses, de Manchester. Mas era hora de nova expedição, desta vez à Lion Cave. Tínhamos duas opções: ou barco a remos, todos juntos e guiados por um local, ou kayak para 2 pessoas. O menino (Jota) devia estar com medo do frio e de tombar na água, não fosse aparecer o Red Dragon, então queria ir no barco. Mas depois de lhe lançar o meu melhor vernáculo, concordou em irmos no kayak.


À parte ter ficado com as calças e cuecas (são boxers justos, calma) encharcadas, foi óptimo. Não nos virámos e podemos agora dizer que fizemos kayak em Halong Bay. Priceless...
Parecíamos os alunos de Harvard ou Cambridge, a remarmos como uns senhores. A Lion Cave é apenas uma aberta que uma das montanhas tem, que vai desembocar numa baía fechada. E no regresso ao barco, sempre cientes do verdadeiro desígnio deste périplo pelo Oriente, cantámos o "Ninguém pára o Benfica" enquanto remávamos.


Já vendemos para baixo dum kit de sócio, só aqui no Vietname.

Enquanto eu me passeava em calções de banho (calças molhadas...), o Paradise Cruise apontou baterias ao próximo destino, Tung Sau, o local onde íamos fundear e passar a noite. Pelo meio, para a viagem passar despercebida (não era necessário, é bom ficar somente a contemplar a vista), a comitiva organizou uma aula de cozinha vietnamita. Depois do chef, fui eu a preparar as entradas para o jantar. Um rolo de massa recheada com diversos ingredientes. Foi frito e servido a todos nós. Era muito bom, quase todos repetimos.

Deviam ser 18:30 quando recolhemos ao quarto, enquanto não chegava o jantar. Ficámos os dois na nossa varanda privada, só a observar e a pensar. Em absoluto silêncio. Eu pensei que sou um sortudo. E pensei em ti. Como sempre.

O jantar chegou, e com ele uma sopa e cinco pratos. E uma sobremesa, claro. Eram 21 horas quando terminámos, hora do Jota ter massagem. Ele desceu e eu fui interpelado por Rochelle, a bela e encantadora inglesa, mulher de Colin. Ambos ligados à aviação comercial, ele piloto, ela assistente de bordo, ele nos seus 55 anos, ela nos 45/50.
A conversa fluiu furante uma hora, acerca das viagens e experiências, principalmente de Colin, com histórias de voos só para recolher flores dum País para outro, dum gato doente que estava num País e que o foram buscar para ser visto no País de origem, de ter sido piloto dum membro da família Onassis, etc..
Perguntaram-me o que tinha achado de Banguecoque, se tinha ido a Pat Pong. Disse-lhes que quando se entra no bar e se vêem raparigas a fazer acrobacias com a sua mais-que-tudo, vulgo "perseguida", dizemos "wooowooow!" e rimos. Mas que depois o sentimento que me invadia era o de pena e tristeza, por ver homens e principalmente mulheres, sujeitarem-se a tal espectáculo. Eles assentiram em concordância, no entanto Colin tinha mais uma história: um piloto seu amigo tinha feito amizade (só mesmo isso) com uma rapariga que levava a vida assim. O seu sonho era comprar um terreno e ter a sua casa, saíndo desta vida. O amigo comprou-lhe a casa, os anos passaram, perdendo-se o contacto regular. Bastante tempo mais tarde, o tal bom samaritano quis saber da tailandesa e, numa ida a Banguecoque, encontrou-a nos mesmos preparos. Ela própria sentiu falta daquela vida. Estranho, triste.

A conversa foi óptima, e é também por estes momentos que a viagem vale a pena. Mas o Jota estava de volta, e com ele o meu bilhete de ida para a massagem. 
Duas vietnamitas com ar de serem mais novas (uns 20 anos talvez), iniciaram a massagem com muitos risos. Ainda pensei que tinha algo errado comigo, mas desliguei e aproveitei.

Segui para a cama, a minha ao lado da varanda. Combinámos deixar as cortinas abertas para acordarmos com aquela fascinante paisagem.

10 comentários:

  1. Adorei a descrição, e adorava conhecer o vietname.. quem sabe um dia :)

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  2. A tua viagem foi de quanto tempo? Tomavas banho à vontade? Bebeste água e ficaste de cama? Lol.

    Fiz uma viagem semelhante, mas pelo Norte da América, durante 1 ano. Uma experiência para todo o sempre.

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  3. A massagem parecia-me bem agora... Depois de uma noite mal dormida era um espectáculo!

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  4. Opinante, fico contente. Acredita que vale a pena lá ir. Não só ao Vietname. O Oriente é fascinante.

    Elsa, a inveja é uma coisa feia! Mas a tua não, I bet.

    Here Comes The Rain, e-mailA o blogue para troca de experiências. Mas acredita que fico a perder por 15-0. Ou mais. Em relação ao resto, sim, tomava banho normalmente. O resto não posso desvendar.

    Marciano, só visto ao vivo para se acreditar naquela paisagem!

    nunomaf, massagens sabem sempre bem, especialmente se forem dadas pela pessoa certa. Mas pronto, pode ser a errada.

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  5. Até que enfim que posso comentar ...

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  6. Belo sítio que infelizmente começa a ser destruído pelas multidões de turistas. Patpong é agressivo mas Pattaya ou Patong Beach em Phuket conseguem ser ainda piores.

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  7. @Hugo, utiliza o blogue do tasco para partilhares :)

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