25/01/2011 - Hanói - Ho Chi Minh (Diário na Ásia - #11)

Despertar tardio, pelas 9h, e algum bem-estar comparado com a última noite. Outro banho e o pequeno-almoço no hotel. Foram 3 copos de limonada. Não sei que água usam, mas já não me ralo tanto. É impossível.

Pedimos a Thang que nos arranjasse transporte para alguns locais turísticos.
Com a eficiência habitual, às 11h estava um motorista para nos apanhar. Um tipo um pouco mais novo que nós, um carro bom e limpo, unhas cortadas (aqui não é tão vulgar assim), casaco Pull and Bear e Jack Jonhson a tocar no rádio. E quase não buzina. Um luxo, é o Cristiano Ronaldo dos motoristas.

Deixou-nos junto ao "One Pillar Pagoda" e ao Mausoléu de Ho Chi Minh. São um ao lado do outro (o Museu de Ho Chi Minh também é aqui perto, mas estava fechado).

Fomos ao Pagode dum só pilar (é mesmo isso, um único pilar com um Pagode por cima), mas eram apenas umas escadas com um pequeno altar, cheio de oferendas a alguém com muitos braços! Foi construído em 1049, simbolizando uma flor de lótus, daí a sua estrutura assente num só pilar.


O Mausoléu é ao lado, tem um enorme jardim circundante, onde nalgumas partes não se pode passar (não vão eles abater-nos a tiro). Um edifício enorme, onde não é permitida a entrada.  É uma espécie de fortaleza/palácio idealizada como uma cópia da Cidade Proibida dos imperadores chineses. Foi construída no século XI, sob o que restou duma fortaleza chinesa que ali existia desde o século VII. Foi durante muitos séculos, um grande centro político. Tivemos a sorte de vermos o render da guarda, parecem miúdos, soldadinhos de chumbo.





O motorista aguardava-nos, para nos deixar agora no Museu da Etnologia. É um edifício onde se concentram as várias etnias presentes na Ásia e principalmente neste País. É possível ver ferramentas, vestuário e habitações de cada etnia. São mais que muitas. Curioso o espaço para o HIV, com relatos e informações sobre este flagelo. Porque raio é que inventaram esta doença? Um tipo não pode estar descansado? ...


O motorista, tinha ido comer e chegou passados 10 minutos. A viagem agora era até ao Pagode Tran Quoc. Infrutífero, fechou tudo ao almoço. É um pagode alto, construído num outro lago, o West Lake, este até me fez pensar que era um rio, tal a sua imensidão. Vimo-lo por fora e não creio que tenhamos perdido muito.


Pedimos ao motorista para nos deixar no lago mais perto do nosso hotel, onde ainda fomos até ao Templo Ngoc Son, no meio do lago. Não valia a pena entrar.

Seguimos até ao hotel, não sem antes regatear novas compras (agora menos, não há pachorra...e quando nos atende uma menina pequena eu digo ao Jota que não vou ser implacável como com os outros.
Comi uma sandes, bebi outra limonada e fizemos o check-out, deixando um envelope com $20 USD para a malta do hotel, agradecendo a hospitalidade. Foram fantásticos, mas às tantas já nos dão vontade de rir. Por cada frase que dizem, mesmo que seja um pedido nosso, aparece um "thank you" e um "please". Imaginem a cena: "oh Compal de Maçã (o nome dele é Thang, lê-se como a bebida Tang, mas ao fim de alguns dias juntos, temos que arranjar piadas farçolas como esta), arranjas-me um café por favor?". E ele responde: "Yes, please, thank you". Sem tirar nem por. Um pouco exagerado em momentos destes, mas é com boa intenção e eles foram estupendos connosco.

A viagem até ao aeroporto deve ter demorado 30/45 minutos. Já não podia mais com as buzinadelas, o tráfego descontrolado. Hanói está vista, não deixando grandes saudades.


O Airbus A330 da Vietname Airlines levou-nos até Ho Chi Minh, numa viagem de 2 horas até ao antigo Saigão. Quase não deu para perceber a descolagem e aterragem. E agora eu já me benzo sempre. Detesto andar de avião. É seguro, eu sei, mas...

Nas chegadas já nos esperava um rapaz, que nos levou até ao hotel, o Hai Long 2 Hotel. 
No caminho, deparámo-nos com a maior cidade que já vi. São 8 milhões só aqui. Mas o que impressiona é a imponência desta cidade. As avenidas são gigantescas, com muitos km's de comprimento. As motas continuam a imperar, mas o trânsito é mais ordenado (em vários locais existem barreiras a dividir as faixas de rodagem contrárias) e existem menos buzinadelas. Mas sempre muitas, simplesmente melhor que Hanói.
Passámos por edifícios modernos e enormes, pelas melhores lojas de marca, por uma Louis Vitton do tamanho do Centro Comercial Colombo (OK, é um perfeito exagero, mas assim vocês comrpeendem a dimensão), passámos por tanta coisa...


Estive em Madrid, Barcelona, Londres, Roma e mais algumas grandes cidades. E este Saigão parece superior em nível de grandiosidade nestas avenidas. Ou isso ou o Malarone está a dar grande efeito. Não conheço Nova Iorque, mas isto não deve andar assim tão longe. Possa, o Malarone é mesmo bom.

Aqui o luxo mistura-se com a falta de higiene tão típica na Ásia. Passamos por um hotel do melhor, mas ao lado podem haver ajuntamentos de populares que fazem as suas refeições na rua, sem o mínimo de condições.

O tempo é completamente diferente. Saigão é para sul, faz calor. Foi bom voltar a sentir um clima mais próximo do nosso.

Chegámos ao hotel, perto do centro, pequeno, mas os quartos não são maus. Uma cama de casal para cada um. Deixámos as malas e fomos para a rua, desertos de nos imiscuirmos nesta grande cidade. Aliás, esta é que parece ser a verdadeira capital do Vietname. Do género de Washington DC/Nova Iorque.


De volta à rua e para jantar, o Jota quis entrar num restaurante chinês. Eu preferia o do outro lado da rua, ao ar livre, mas apetecia-lhe aquele género de comida e eu nem apetite tinha, por isso concordei. Não era mesmo nada de especial, a vista é que era boa. Porquê? Porque posso afirmar que é oficial: as mulheres mais bonitas do mundo estão nesta cidade. Mas tu continuas a ser a minha preferida.

Bom, eu comi 4 ou 5 pedaços de porco e vim para o hotel. É tempo de vos contar: a viagem de avião foi dura, com muito calor, frio, dor de cabeça, estômago e cansaço. O Malarone não me provocou efeitos secundários, mas algo se passava comigo.
A casa-de-banho tornou-se, infelizmente, na minha melhor amiga.
Piorei bastante, a todos os níveis, por isso, apesar de estar a tomar o genérico do Ben-u-ron desde ontem, e antibiótico desde esta noite, falei com o Jota e disse-lhe que tinha de ver um médico.

O Lonely Planet e o táxi levaram-nos ao HCMC Family Medical Practice, aberto 24 horas e a apenas 3 ou 4 minutos do hotel. 
Muito bom aspecto e quase todos falam bom Inglês. Tinha 38.6 de febre (nada surpreendente para a temperatura a que sentia a minha cara) e a tensão arterial boa. 
O médico viu-me e disse que deveria ser um vírus, uma infecção. Mas que queria análises ao sangue e um raio-x ao tórax, porque tinha detectado algo na auscultação.


As análises indicaram um número elevado de glóbulos brancos, por isso devia mesmo haver infecção.
Enquanto esperávamos que o radiologista chegasse (estava em casa a dormir), serviram um café ao Jota, foram sempre simpáticos.
Apanhei o elevador e subi ao 1º ou 2º andar para fazer o exame de despiste de pneumonia, numa sala com diversos aparelhos avançados a nível de tecnologia. Não entendo nada disto, mas eles parecem bem equipados. Ainda bem. O raio-x impresso parece que não foi totalmente esclarecedor, mas estiveram a ver no computador e acharam estar tudo bem com os pulmões. Menos mal.


Confirmou-se então uma infecção, provocada provavelmente por intoxicação alimentar. Disseram-me para continuar com a medicação que estava a fazer. Comprei um termómetro para ir controlando a febre e pedi para me tratarem da papelada com o meu número Multicare, para ver se ainda consigo reaver alguma coisa.
Pelo meio o doutor referiu que há muitos casos de Dengue, mais grave do que a Malária. Uma picada de insecto é suficiente. E que no Camboja o sistema de saúde é muito precário, que se eu não melhorasse, devia ficar aqui ou seguir para Banguecoque. Falei-lhe sobre o nosso plano de irmos amanhã a Cu Chi, um dos meus locais preferidos nesta viagem, o doutor disse que dependia de mim, de como estivesse amanhã.
O café do Jota custou-me $270 USD, o mais caro de sempre.

De volta ao hotel resta-me a esperança de amanhã acordar melhor...

19 comentários:

  1. É sempre uma chatice quando se anda de viagem e se fica doente, mas credo dizerem-te que podia ser Dengue... (eu morria de ansiedade enquanto não melhorasse)

    ps. bons pulmões, digo eu! ;)

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  2. Geralmente leio estes posts e sinto-me invejosa ahah mas neste a minha inveja dissipou-se, porque doenças é uma coisas que não almejo ter.

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  3. não podiam ser só coisas boas, eheheh ... mas se estás cá a contar a história é que nada de grave se passou, digo eu em vietnamita ... certo charlie ?

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  4. Eu gostava era de saber porque é que os meus comentários não aparecem!

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  5. Dizia eu que ter uma intoxicação alimentar no Vietname é de MACHO!

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  6. Muito boas estas tuas descrições de viagens, Simão :)

    Já pensaste em partilhar isto no Myguide? ( www.myguide.com )Digo isto porque o faço lá.
    Aliás, o meu blog começou com o intuito de guardar para mim o que lá escrevi.

    A parte boa, é que estão sempre em concursos sobre viagens e afins.

    Já ganhei fins de semana em hotéis 5*, máquinas de café, bal, bla, bla. Quase, quase ganhava uma semana na Madeira. Fiquei em 2º.

    Mas acho que potencial descritivo não te falta. fica a sugestão.

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  7. @Ca, uma valente chatice, para não dizer uma valente £§$%@. Mas há mais dias pela frente :)

    @M, mas há mais para além de não se estar a 100%, há Hanói e Ho Chi Minh ;)

    @Bcool973, certo charlie, ou isso ou antes de falecer, programei os posts para irem aparecendo.

    @Dexter, que raios, nem censura ando a fazer! ;) Obrigado pelas palavras, é bom saber que existem pessoas que entendem o cerne da questão: é de MACHO.

    @trollofthenorth, o Simão agradece mencionares o seu nome e manda-te um abraço. Não, nunca pensei em partilhar nada, nem aqui. Há uns meses resolvi publicar no tasco para ficar dalguma forma "eternizado", e também para ver se a malta gostava e ia aparecendo mais. Mas na verdade julgo que o Diário na Ásia não tem vingado aqui. Mas vai até ao fim.
    Muito obrigado por achares que isto tem potencial para algo tão nobre. Não conhecia o sítio que falas e vou visitá-lo. Quem sabe...
    Abraço e obrigado pela sugestão.

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  8. Achas que não tem vingado? Por que julgas isso? Pelo número de comentários?

    Nem sempre se tem algo a dizer, pelo menos eu, há muita coisa que um gajo não tem opinião. Mas isso não é sinónimo de a malta não curtir o teu Diário. Acho bastante interessante e penso que fazes bem acabar o Diário pá.

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  9. @Here Comes The Rain, bom, não sou nenhum blogger do camano para ter muitas visitas/comentários. E julgo que realmente a tua perspectiva pode ser correcta, é uma coisa que até pode dar gosto ver, mas não ter grande coisa a comentar. De qualquer forma, também há malta que diz "eish, isso é muito grande, não tenho paciência/tempo para ler". E neste momento não sei se quem acompanha a história, não fica perdido devido aos dias de intervalo entre cada dia.
    Mas obrigado :)

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  10. Totalmente de acordo com o Here Comes The Rain

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  11. dispenso-me a comentar esse tema visto já o ter feito anteriormente ...

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  12. Afinal não foram só rosas :)

    Diga-se de passagem que o verde fica-te bem :D

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  13. @Cláudia, pois, parece que não foram só rosas. Rosas essas que normalmente são encarnadas, mas tu falas-me em verde...onde não vejo verde. Estou daltónico?!

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  14. A bata do hospital não é verde?

    Não me vais dizer que é um tipo qualquer de outra cor.
    Para mim existem poucas cores e não sou daltónica :)

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  15. @Cláudia, é a minha t-shirt! E é azul-claro-esquisito, há-de ter um nome específico que vocês mulheres saberão qual é.

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  16. Poc, para mim existe:

    Azul
    Azul claro
    Azul Escuro

    Verde
    Verde claro
    Verde escuro

    Rosa
    Rosa claro
    Rosa escuro

    (percebeste a ideia certo?)

    Para mim a tua tshirt é verde, mas eu acho que sou suspeira e vejo verde em tudo :D

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  17. Porra, isso é que foi uma aventura completa!...

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  18. @Dylan, completa nunca é. E não o foi :)

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