Balonismo e a sorte da aterragem desportiva

Nunca tinha comido caviar, mas também nunca tinha andado de balão de ar quente. Optei pela segunda hipótese, o mais antigo meio aéreo de deslocação.

Com duas horas e meia de sono, tomei um duche e apontei baterias a Coruche, a cidade que justifica a célebre expressão "dar um passo atrás para dar dois em frente". Isto porque fui para Sul, apanhando a Ponte Vasco da Gama, para depois então seguir para o destino. Parece que agora é mais rápido assim.

Ah, mas para quem pensa que fui para a "night" e tal, desengane-se. Não fui. Tive foi que sair de casa às 06h da manhã! Uma "biolência", como diria a Luce.
A chegada a Coruche deu-se pelas 7:10. Estava a nascer o dia, com dois balões a serem preparados, um bastante maior que outro. O meu era o maior, cortesia do Simão Escuta.


A temperatura oscilava entre os 3 e os 6 graus negativos. Mas o frio é para meninos, mesmo que pareça que o nariz vai cair, os dedos já caíram e o Menir esteja em perigo.


Um holandês, radicado há 17 anos em Portugal, é o responsável pelo passeio. Tem 6 ajudantes, que o material é muito pesado, e tem ar de quem percebe da poda, apesar do balão ter um rasgo, o que me fez pensar que poderia ver ali uma oportunidade de pedir uma indemnização após acidente.


35 metros de balão demoram a encher, primeiro com ventoinha, depois com ar quente. E que ar quente! Aquilo parecia um lança-chamas, ou quatro, para ser mais justo. Um calor que fazia acabar com o Pólo Norte em 3 tempos. 


Já dentro do cesto do balão, vieram as hospedeiras (ou assistentes de bordo, perdão) dar as indicações de segurança. Quer dizer, não vieram, continuava a ser o holandês a tratar de tudo. Ele era comandante, capitão, comissário, presidente, técnico de manutenção, gajo que vai com as raquetes ajudar a estacionar. Era tudo. E era simpático. Disse que as condições eram boas, que não iríamos necessitar de fazer uma aterragem mais complicada, mas treinámos na mesma essa situação.

Subida rápida. Lá em cima parece que voamos a baixa velocidade, mas nem por isso, é impressão nossa. Consegue-se ver o Rio Tejo, a Serra da Arrábida, Lisboa. Tudo, ou quase. Estivemos a 5000 pés, cerca de 1.5 km. A vista é realmente bonita, o passeio vale a pena e é original. Com maior visibilidade, tinha sido ainda melhor.







Passado hora e pouco, era altura de aterrar em Bombel, pequena localidade na linha horizontal do Montijo, mas mais interior. Começa-se a descer e aí sim, percebe-se que voamos a uma velocidade interessante. Maior adrenalina. Em baixo, os bovinos assustam-se com o imponente balão e fogem. A chegada ao solo estava perto.


A oportunidade, neste caso, um campo aberto, estava próxima, mas rodeada de cabos de alta tensão. O campo não era enorme, daí que tenhamos tido a notícia: a aterragem ia ser "desportiva". De repente os planos mudaram. O vento é que manda, e a certa altura já não restam grandes hipóteses.
Guido, o holandês voador, tinha filmado o passeio com uma GoPro, a máquina que quero comprar (uma todo-o-terreno, à prova de água, choque, apoios para surf, carros, motas, etc.). Atirou a camara para o lado, pediu a todos que se agachassem no cesto em posição de segurança (agarrados a umas pegas) e largou o estilo relaxado para um mais preocupado. Antes de me agachar disse-lhe que podia filmar a aterragem, ele concordou e deu-me a GoPro para as mãos. 

Não vi grande coisa, mas filmei-o a ele e à aterragem, julgo eu. Assim que tiver o vídeo disponível, coloco-o aqui.
Batemos no solo a alguma velocidade por 3 vezes, saltavam pedaços de terra e algum pó. Guido gritou para nos agarrarmos pois ainda íamos tombar, mas não chegou a acontecer. Nunca me senti em perigo, mas foi emocionante. Se calhar de fora não teve grande piada, mas para quem lá ia, foi do melhor. 
A explicação era de que aquele balão, pelas suas grandes dimensões e pelas condicionantes inesperadas, pode tornar-se num comboio desgovernado que leva tudo à frente. Não foi o caso, imobilizámo-nos antes disso.

O balão mais pequeno

No chão e já sem dedos dos pés (perdi dois no frio), aguardámos a chegada da equipa de apoio e lá regressámos a Coruche para encerrar a experiência.


Não fosse a aterragem e tinha achado o balonismo apenas engraçado e com uma visão magnífica sobre o solo. Assim fiquei a gostar.

16 comentários:

  1. Só de ver as fotos fiquei com vertigens.

    Sou rapariguinha para dizer "fixe, viagem de balão" mas depois não ter coragem para me aventurar.


    Menos 5 graus?
    Ui...

    Mas acredito que tenha merecido a pena :)

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  2. Lindo :)

    "Batemos no solo a alguma velocidade por 3 vezes, saltavam pedaços de terra e algum pó" -> emocionante... (medo)

    No entanto, coitados dos bovinos... :p

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  3. POC
    EXTRAORDINÁRIO!!!
    Fico feliz.
    Por perceber que tiveste um fim de semana animado,diferente, com amigos e assim aproveitares a vida intensamente.
    O "passarinho" voou!
    Sê feliz.
    Kisses

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  4. Eu não conseguia.Tenho de ter os pés bem enfiados na terra...

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  5. Tenho de experimentar uma dessas mas com dedos.

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  6. POC, fazer pirraça é feio :P
    (sim, tenho inveja)!

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  7. bom, muito bom, e o estrago na carteira fica por quanto ?

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  8. Uau! espetáculo! também gostava! já experimentei várias aterragens "é-desta-que-eu-vou-morrer" pela SATA, mas de balão não sei se o meu coração aguentava. Mesmo assim tenho muita curiosidade de experimentar. Durou quanto tempo a viagem?

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  9. @Cláudia, eu dou-me mal com alturas, mas estive bem. O cesto é bastante sereno e pouco se sente que se está "à deriva". Give it a try :)

    @Elsa, se calhar para quem estava de fora foi peaunuts, mas o facto de estarmos agachados e não vermos nada, deu valor à coisa. Nota da Gerência: nenhum bovino foi mal tratado no decorrer da experiência.

    @Mamã de Salto Alto, e viagens de avião? O balão é muito estável por acaso.

    @Anónimo 15:18, Obrigado! Não mereço, mas obrigado! (Amália style)

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  10. @Vladimir Kaspov, com esta temperatura, 3 pares de meias!

    @Ca, não era minha intenção :) Vai experimentar!

    @Bcool973, uns €120, mas arranjas promoções a metade do preço se for preciso! http://www.windpassenger.pt.

    @RS, durou hora e pouco. Na resposta que dei ao Bcool973 tens o site. É tranquilo, é um verdadeiro passeio. Nada a temer :)

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  11. @Rosa Cueca, diz ao Dexter que vais da minha parte e que queres um passeio de balão. Or else...

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  12. Também já fiz esta viagem... Impecável.

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  13. Sim, com o Guido, que é um porreiraço e e também em Coruche, pelo que suponho que também usaste um vale da Vida é Bela.

    No fim ele fez-nos (a mim é à minha mulher) um Balão com a Rolha e o arame da garrafa de champagne... Lol

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  14. @André Leal, não foi através da Vida é Bela. Não tive direito a essa do balão com a rolha, muito bom!

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