A coerência, ou a falta dela. A amizade.

Não quer dizer que seja o tipo mais coerente do mundo. Aqui e ali, já disse uma coisa e depois não a levei até ao fim. Já me portei mal, mas não com o propósito de magoar alguém. Venha de lá a célebre frase, "quem nunca errou, que atire a primeira pedra".

Mas quando vejo gente que faz mal aos outros gratuitamente, que faz jogo duplo, que à frente diz e parece uma coisa, mas nas costas é o reverso da medalha, tenho tendência a marcar, para sempre, estas pessoas. É um carimbo, um rótulo. Porque não me revejo na maldade.
Até aqui tudo bem, não me choca. Há disto em todo o lado. Eventualmente todos nos cruzamos com gente assim.

No lado de lá, que devia ser o de cá, fica sempre alguém que, ou é inocente, ou é bem enganado. Ou até já desconfia do que vem dali e te tenta avisar.
E tu simpatizas com essa pessoa, porque ela realmente é mais digna, porque sofreu injustamente, porque topou, há muito tempo, que do outro lado não vinha coisa boa.
Mas depois tu tens que deixar de simpatizar. Tens. Porque quem, no final do dia, prefere aliar-se a gente desta, sem escrúpulos, não pode, afinal, ser boa. Não pode ser aquilo que pensavas.
E porque fazem isto? Simplesmente porque é mais fácil. Porque dá mais jeito. Porque se é fraco de espírito. 
De repente, aquela história que te mantinha por perto, mais parece um filme de comédia, com maus actores e realizadores, todos a darem-se lindamente numa hipocrisia sublime.

E agora pergunto eu: se posso atravessar um rio a nado, sem perigo, porque hei-de arriscar por o pézinho noutro, com piranhas prontas a atacarem?
Definitivamente, rios cujo leito são sinuosos e falsos, não são para mim. Até porque não sei, até que ponto, estes rios não vão desaguar em águas não navegáveis. Ou talvez até saiba, só não conseguindo prever o momento desse episódio apocalíptico.


É por isto, meus amigos, que sois tão importantes para mim.


Nota da Gerência: a parvoíce volta dentro de momentos.

21 comentários:

  1. Este é capaz de ter sido um dos melhores posts que li nos últimos tempos.
    Poc, assim não vale.

    Concordo com cada linha do teu texto.

    Infelizmente estou rodeada de gente falsa e que gosta de pisar, só porque sim.
    Se há coisa que me tira do sério, é ter alguém a falar mal de A nas costas e pela frente são só sorrisinhos, porque convém.

    Esta sociedade que vivemos tem muito que se lhe diga.

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  2. @Cláudia, obrigado. Mas achares que é um dos melhores posts...fico ofendido. Os melhores são os que fazem sorrir ;)

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  3. Ainda hoje estou a recuperar do balde de água fria que levei ontem ao aperceber da minha amizade hipocrita.
    "E agora pergunto eu: se posso atravessar um rio a nado, sem perigo, porque hei-de arriscar por o pézinho noutro, com piranhas prontas a atacarem?" e perguntas bem, porque se me tivesse afastado das piranhas não tinha feito figura parva, mas pronto, eu acredito em: "what goes around comes around"

    Agora fora deste assunto, ando a ter dificuldades em escrever as duas palavrinhas que provam que não sou robô... qualquer dia deixo de comentar...

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  4. @RS, é isso, what goes around, comes around. Relax.
    Olha, julguei que já tinha arranjado forma de retirar a verificação de palavras. Vou investigar. Não vás a lado nenhum.

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  5. Há gente má, mesquinha e venenosa... e não precisam de motivo para ser assim. São-no e pronto.

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  6. @RS, resolvido, I guess. Experimenta.

    @S*, é tão isso...

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  7. Muito bem, gostei de ver esse lado mais profundo do menino!!
    Quanto aos rios com piranhas, por vezes quando damos conta já lá estamos e nesses casos é dar uma de Michael Phelps e nadar o mas rápido possível para a margem mais próxima!!!

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  8. @Gija, obrigado. Sei que não parece, mas para além de palhaço, tenho sentimentos e alguma inteligência. É sempre de lamentar quando tenho de abordar alguma destas duas temáticas, eu sei ;)

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  9. O POC tem sentimentos!
    Depois desta entrada, falemos a sério.

    É triste quando nos cruzamos com gente assim, tantas e tantas foram as pessoas que pensei serem uma coisa e no fim eram o oposto dos opostos. O que podemos tirar disso? Muito. São estas situações que nos vão moldando enquanto pessoas, e por outras nos terem magoado, nós temos em atenção o que fazemos e tentamos não agir do mesmo modo com quem gostamos. Na teoria é sempre muito bonito, e na prática é mais é bolos. Mas se formos tentanto e crescendo com isso no fim ficam os que importam e nós de cabeça limpa :)

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  10. Estás mesmo a precisar de uns finos e tremoços... Não gosto nada de ver um gajo assim. :D
    Se precisares de alguém que te leve, dispõe!
    Abraço

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  11. a qualidade está claramente a descer, qualquer dia este tasco já não tem mines e tremoços, só panachés e folhados de queijo ... vê lá não venha aí um visconde fanar-te outro celular, de tão fina que a casa começa a ficar, eheheh ...

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  12. @Ca, tenho sentimentos, mas todos maus!!! Sou uma besta, o terror. Sou um diabrete.
    A aprendizagem é a nossa melhor amiga. Aprendemos sempre. Sempre.

    @tiago leal, obrigado! Mas está tudo em cima :) Foi uma abordagem diferente. E claramente mal medida, uma vez que vocês já começam a criticar o tasco.

    @Bcool973, essa dos panachés e folhados foi muito boa. Mas o visconde a palmar-me outro telemóvel também não fica atrás!
    Confia em mim, vou tentar descer o nível novamente. Perdoem-me.

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  13. Já pensaste se não és tu que erras? Erras ao confiar demais...em pessoas.

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  14. Olha...vinha aqui em busca de uma boa dose de palermice, no final de mais um dia de trabalho e encontro--me com uma reflexao. E daquelas q mais porrada me deram, mas que ao mesmo tempo refinaram uma qualidade da qual muito me orgulho: Levantar-me outra vez!
    "Always look on the bright side of live"...ja diziam os gajos;-)!
    Posto isto, espero ver aqui umas mines e tremocos ao belo estilo do POC.
    Abraco.

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  15. Estou a ver que qualquer dia temos a rubrica "Hoje deu-me para isto ou para aquilo", e estás a fazer workshops de motivação, amor e afins.

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  16. @Mario Rui, eu sei, eu sei. Desiludi-vos a todos. Obrigado pelas palavras. E obrigado por me fazeres ver que o caminho é o das minis e tremoços.

    @Rainha ST, bem-vinda. Foi uma entrada a pés juntos, mas justa. No dia em que eu fizer "hoje deu-me para isto", fecho as portas. Não sem antes me insultarem gratuitamente. E atirarem-me ovos. Podres.

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  17. BOA NOITE!
    POC, depois desta reflexão, que me pareceu mtº. sincera, dolorosa, mas de nobres sentimentos, espero que te sintas +++ aliviado.
    Se me permites, partilho a m/ experiência com casos idênticos.
    O procedimento p'ra com pessoas que falam palavras que não vêm directamente(sentidas) do coração e tbm não são coerentes com os seus atos, é o meu afastamento, progressivo até ignorá-las totalmente.
    Tem-se mostrado um método frutifuro. Elas ao darem-se conta da m/ atitude (aparentemente serena), sem agressividades (peixeiradas e palavrões)e c/ capacidade para ouvir e quiçá perdoar,sem esquecer,(claro,não sou hipócrita) e o passar do tempo, reconsideram e acalmam e até algumas me voltam a surprender pela positiva(tenho casos mtº. recentes).
    Nota importante,ao fazermos o n/exame de conciêcia, temos que nos sentir tranquilos, porque agimos sempre c/lealdade.
    Foi bom ler-te.
    BeijK:).

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  18. @Anónimo K, tudo tranquilo. Obrigado pelas palavras. Há gente que merece essa condescendência, há gente que não merece. Farinha do mesmo saco, como se costuma dizer. No fundo há gente que passa, de repente, a ser invisível. Já nem cá chegam.

    @Marilyn, :)

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