O Efeito Borboleta

Todos gostaríamos de ter oportunidade de voltar atrás e emendar algumas coisas do passado. Todos talvez não. Até tenho uma visão que me diz que "se foi assim, é porque tinha de ser".

Mas ontem dei por mim a pensar que sim, que gostava de poder voltar atrás num Delorean ou algo parecido, de fazer como Doc Brown e Marty McFly e atravessar o tempo. Emendaria alguns erros dramáticos que cometi. E depois Back to the Future, para voltar ao dia de hoje e ser alguém melhor.
Será que se emendasse esses erros, iria interferir com o meu futuro? Com o de estranhos? Sim, decerto. Mas garanto que seria melhor para todos os que me rodeiam.


Tal como acontece provavelmente com todos nós, já dei por mim a pensar coisas como (e não vou pensar na típica "se tivesse rodas, era um camião"): 
- se não tivesse parado neste semáforo, ia dar-se um acidente que mudaria a minha e outras vidas;
- se não tivesse falhado um golo certo, a equipa subia divisão e teria de fazer diferentes deslocações, uma das quais fatal;
- se não tivesse criado este blogue, talvez não perdessem tempo a lê-lo, talvez saíssem mais cedo do emprego, talvez dessem de caras com o amor da vossa vida;
- se não tivesse caído numa esparrela, hoje seria mais feliz.

Esta sucessão de acontecimentos que poderiam ter-sido-mas-não-foram, e dos que infelizmente-aconteceram-e-fizeram-com-que-a-vida-não-fosse-assim-tão-boa, fazem parte dum fenómeno que percente à Teoria do Caos. Ou seja, imaginem que o simples bater de asas duma borboleta, pode fazer com que a sua deslocação de ar dê origem a um tufão no outro lado do mundo. Ridículo, não? A borboleta é uma alegoria, mas metaforicamente falando, faz sentido. A vida é, realmente, um conjunto de acontecimentos que se dão uns com os outros. E que se influenciam mutuamente. É este o Efeito Borboleta.

Diagrama da Trajectória de Lorenz

Ashton Kutcher, o bonitão que só faz comédias (That 70's Show), entre elas as românticas, é actor e co-produtor do filme Efeito Borboleta (2004). Já tinha ouvido falar dele, mas nunca tinha visto. Aconteceu ontem. Em boa hora. E claro, descobri que, afinal, o Kutcher não faz só filmes de beijinhos na boca e mundos perfeitos. Porque eles, os perfeitos, não existem.


Não querendo estragar a história do filme, digo-vos que fiquei siderado a olhar para a televisão. A respirar fundo, tanto de alívio como dor.
Nós, personagem, com oportunidade para reviver memórias passadas e poder alterá-las, somos invadidos por repercussões incríveis e inesperadas quando alteramos o futuro.

Mas a minha pergunta final é: quantos finais diferentes iria necessitar para emendar a minha vida? Um. Só um.

15 comentários:

  1. Gostei. Este tema que abordaste é das coisas que na minha vida me tira horas de sono. Ultimamente sou mais do tipo : "se foi assim, é porque tinha de ser", mas já fui daquelas pessoas que deseja muito voltar ao passado e emendar uns quantos "erros" (entre aspas porque nem sempre deve ser visto como um erro). E este filme de facto é muito elucidativo sobre o que podia acontecer se fossemos emendar alguns "erros".
    Há tanta coisa pra dizer sobre isso, mas fico por aqui.

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  2. Este é um assunto no minimo problemático. O "e se" é algo que nos atormenta sempre em qualquer situação, ainda para mais quando somos confrontados com situações de decisões imediatas. No entanto se formos a pensar assim estamos bem lixados porque não fazemos nada sem pensar sériamente no assunto. E no fim descobrir que afinal, depois de ter reflectido milhentas vezes, era o outro caminho que devia ter seguido? Dá a qualquer quer um a vontade de cortar os pulsos.
    O meu ponto de vista é: Tomar uma decisão com base naquilo que achamos correcto, com base no que a educação e o crescimento dado por outras experiências nos ensinou. Não era o caminho certo? Aguenta-se com as consequências, para a próxima não cometes o mesmo erro. (epa fiquei inspirada) Bom Post :)

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  3. POr acaso nunca vi o filme e na altura que saiu não tive grande curiosidade.
    Mas, tenho falado com vários amigos e todos me falam bem do filme... Acho que tenho que um destes dias sentar-me e ver o filme.

    Há muita coisa que mudava, mas apesar de todos os contratempos, apesar de todas as adversidades e de todos os obstáculos, acho que a minha vida não está mal de todo.
    E se todos pudéssemos corrigir erros, depois não iríamos aprender a viver.

    Gostei deste post Poc, afinal nem tudo são defeitos em ti :D

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  4. Esta é uma trilogia que faz parte não dos meus filmes de sempre, mas do que permanecerão para sempre...
    No entanto, após os ver fiquei com a sensação que, por muito que se queira alterar do passado, o futuro nunca seria perfeito. Enquanto isso, não tomaste bem atenção ao que acontecia no presente!!
    Foi essa minha leitura.
    :)

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  5. E se te dissesse que se de alguma forma te fosse dada a oportunidade de regressares a um momento crucial da tua vida, uma encruzilhada, e mesmo sabendo que poderias agir de forma diferente,

    só poderias observar aterrado para ti próprio a proceder exactamente da mesma forma...?

    Aconteceu-me. E não me considero particularmente obtuso...

    Mas não podemos fugir ao que somos, e à nossa personalidade, que toma as decisões que considera as melhores.

    É a minha opinião baseada na experiência.

    Abraço.

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  6. Tu querias era ser o Ashton Kutcher e ter andado com a Demi Moore, isso sim!

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  7. Qual era o teu final diferente?

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  8. Desde que metes te o simão no facebook que isto ficou um bocado mais abixanado..Já não há gajas nuas, promessas envolvendo os genitais, estudos sobre o porno.. Enfim.. Espero que te emendes ehehe


    O filme já o vi umas boas vezes, a primeira teve aquele impacto mas depois banalizou-se a mensagem.

    Cumps

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  9. Eia, pois advogada nossa......

    Poderia começar assim , tipo oração a comentar o texto apresentado, mas não, a m/opinião, converge com a expressão, "não chorar o leite derramado"(amo provérbios), aplica-se literalmente aos erros cometidos no passado.
    Erros, todos nós os cometemos.
    Os Seres(pessoas e animais) Humildes com alguma inteligência "tiram partido" e fazem a aprendizagem devida para viver o presente e melhorar o futuro.
    O "MEO"(130) melhor filme é de aprendizagem contínua, o das m/vivências e dos que estão ao meu redor.

    Sofri búe, acima da média, mas hoje, sou +tolerante, +atenta, + prestável, etc., mas tb. +seletiva e exigente.
    O +importante foi não ter perdido a capacidade de amar e a esperança de um dia poder encontrar a compensação de todo o tempo +austero.

    Estou a viver itensamente todos os momentos, com a lucidez em ascensão e cada dia c/+auto estima.
    Hoje, estou amando o facto de estar viva.
    Odisseia
    Beij.K:)

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  10. Gostei bastante do filme. O conceito é engraçado. A alegoria melhor ainda. :)

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  11. Gostei muito do filme, o 2 não vale um chavo, não percas tempo com isso.
    Todos nós pensamos nisso, mas mesmo a emenda que pensamos ser a certa para a nossa vida, também ela poderia não ser o nosso final feliz ;)

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  12. @RS, verdade, um tema complicado, com muito para dizer. Também eu tive que resumir bastante tudo o que passa pela cabeça. Ainda bem que gostaste.

    @Ca, obrigado. Erramos, mas se reconhecermos, aprendermos e formos genuínos, então merecemos "alterar" o futuro :)

    @Cláudia, Sou do Benfica mas até consigo escrever umas coisas, é isso? Obrigado então :)

    @ahlebA airaM, e até foi uma boa leitura. Não vi os restantes, só vi mesmo o primeiro. E acho que a mensagem fica. O resto é, provavelmente, negócio. A não ser que digas que vale a pena...

    @Valdemar, terias muito para contar sobre essa experiência, mas talvez não aqui. Compreendo o que dizes e até concordo. Mas há aspectos que não repetia. Jamais.

    @Anónimo 20:42, nem por isso :)

    @Anónimo 21:08, o meu final diferente? Se calhar nesta altura do campeonato já não morava no mesmo sítio.

    @miguel, em breve compenso-te. Sei que estou a falhar e penitencio-me.

    @Odisseia, ex Anónima K julgo. Bem-vinda de novo. Sem dúvida, os erros fortalecem-nos e fazem-nos respeitar, ver mais além e aprender. Aprender.

    @trollofthenorth, nem mais :)

    @Rosa Cueca, já tens o teu final feliz, deixa-me sonhar com o meu, OK? :)

    @faa, não dava nada por ele e agora concordo contigo.

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  13. Acho que devo ser uma das únicas pessoas a não gostar nem um pouco do filme. Nem mesmo pelo actor.
    Se calhar porque cedo me habituei a não me arrepender do que fazia mas sim daquilo que não fazia. E por isso o "se", não entra na minha vida assim tantas vezes. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer, com obstaculos para serem ultrapassados... ahhh e tal, era melhor que tudo fosse fácil... pois mas não era a mesma coisa. O voltar atrás podia originar talvez até a nossa própria morte. Como diz um escritor que eu gosto... não existem 2 caminhos na vida, o bom ou o mau, existe aquele que escolhemos. Somos o que somos porque para além da genética, vivenciamos determinadas "cenas" mais ou menos fantásticas que nos moldaram no ser humano que somos... Uns mais esquizo que outros!!!
    Caro Simão Escuta, peço desculpa se fui séria demais para este post...

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  14. @Anónimo, nada a desculpar, foi uma óptima visão, a contrária da que mais abordámos. Gostei. Não invalida que já me tenha arrependido dalgumas coisas :)
    Até breve.

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