27/01/2011 - Ho Chi Minh - Siem Reap (Diário na Ásia #13)

Acordei melhor, o suficiente para não vomitar, comer umas bolachas e tentar aproveitar alguma coisa mais interessante do que estar amarrado à cama.

Apanhámos o táxi que nos guiou pelas infernais ruas de Ho Chi Minh City até ao Museu da Guerra. À entrada logo fazia antever que iria valer a pena. Uma exposição de tanques, aviões, etc. que fariam corar, pelo menos, os meus Gi-Joe. Mas antes do exterior, havia o interior para ver.




E assim começámos pelo 3º Piso, optando por fazermos o caminho descendente. Entrámos na 1ª sala, onde tinham algumas réplicas de guerra, mas mais que isso, existia documentação oficial que punha termo à guerra, que ordenava eleições democráticas no Vietname. Era também uma sala com diversas curiosidades históricas, tais como a quantidade de bombas caídas em solo vietnamita, o número de militares dos dois países, número de mortos, feridos e quantidade de dinheiro "investido".
A conclusão que tirei é que a Guerra do Vietname custou muito mais que a 2ª Grande Guerra Mundial, mas com menos mortos. E o número de efectivos dos Estados Unidos da América era substancialmente inferior aos vietnamitas, mas com poder bélico muito maior.



Penso que a Guerra perdeu-se, para os USA, porque não conheciam o terreno do inimigo. Como vos falei há muitos dias atrás na selva de Chiangrai (Tailândia, não teve nada a ver com a guerra), imaginei como seria travar aqui um combate, e apercebi-me que quem conhece os terrenos que pisa, tem logo vantagem. É óbvio, eu sei, mas depois de ver com os olhos...fica ainda mais claro.

A selva era dominada pelos chamados vietcongues, que tinham cidades subterrâneas, absolutamente fora do controlo dos USA. Existiam inúmeras armadilhas, completamente dissimiladas. Muitos americanos perderam lá a vida, ou foram capturados.


Continuando pela exposição, estava a entrar na 2ª sala (que terminava o 3º andar - sobrava o 2º e o exterior) quando, de súbito, uma força do Alá (ou do c...) me enviou a ver a exposição do WC, situada no 1º andar. Tal a imponência e realismo dessa sala, tranquei-me nela para combater, deitando fora as 3 bolachas que tinha comido. 
Mais uns suores pelo corpo, mais desalento. Continuava em fraqueza extrema.

Sem forças para subir 2 andares de escadas, e após recuperar um pouco sentado no hall de entrada, optei por ir ver a exposição exterior.
De quem sai do edifício, à direita encontra-se uma área que foi de prisões, onde havia uma guilhotina com  fotografias de cabeças cortadas, bem como outros aparelhos utilizados para tortura.
E estas fotografias eram verdadeiras. E ver algumas coisas ali ao vivo é diferente do que ver na televisão. Impressionante...



Segui para o exterior propriamente dito, onde minutos depois se juntou o Jota. Naquele espaço parece que estamos a entrar um pouco na guerra. Os aparelhos militares (e suas explicações) são fantásticos. 




Vi um bombardeiro, um tanque gigante e um helicóptero de transporte de militares para zonas teoricamente inacessíveis, que era verdadeiramente monstruoso. As hélices eram do tamanho dum 3º ou 4º andar.
Existiam mais tanques, aviões, etc., mas foram estes os que mais me impressionaram, com toda a sua força bélica diante dos meus olhos.
E assim terminou a visita.


O regresso ao hotel deu-se para apanharmos as malas, fazer o check-out e arrancar para o aeroporto.

Apesar da imponência deste Saigão e das mulheres duma beleza rara como nunca vi, não me parece que vá deixar muitas saudades. É um País muito avançado (Hanói e Ho Chi Minh), ocidentalizado, não parecem existir tantos traços religiosos como na Tailândia e Laos. As pessoas querem é tudo de marca, do bom e do melhor. Inevitável, pois têm acesso.
Aqui encontram-se as melhores lojas, todas. O que me liga especialmente esta cidade ao Oriente é ainda se ver muita gente a comer na rua, sem higiene e com um cheiro nauseabundo, bem como o mercado da prostituição em altas.
Esta parte do Vietname, e suas gentes, são parte do Ocidente. Next...



Depois das formalidades no aeroporto, o avião. Os chineses enganaram-nos novamente: vamos pela Cambodia Angkor Airline. Parece que têm uma parceria com a Vietname Airlines. Vamos num A320. Não há problema, o truque agora é benzer-me, aprendi com o Jota. Pode vier a companhia áerea que vier, nós voamos. E voámos até Siem Reap, no Camboja.



Surpresa total, aeroporto mais bonito de sempre, até hoje. Não estou a falar da Ásia, estou a falar de todos os aeroportos onde passei. Em madeira, duma simplicidade e bom gosto fascinantes, jardins, lagos, palmeiras. Por dentro um asseio irrepreensível. Era um óptimo começo.


Tratado o visto, seguimos com o nosso motorista até ao Ree Hotel. O caminho foi curto, mas deu para perceber que são mais calmos na estrada, e em muito menor número, cerca de 200 mil.

O hotel é grande, parece antigo, mas renovado e com bom aspecto. O quarto é espaçoso, temos uma cama para cada um. É o que se quer. Mas o melhor é a simpatia dos empregados. Nada a ver com os imbecis do Vietname (Ho Chi Minh). O que é ridículo é que o bagageiro é o que melhor Inglês fala, para além da sua natural simpatia. O responsável da recepção é um puto que não articula duas palavras seguidas, acho que nem da própria língua. Quem o safa é o elemento que está em formação on job.


Entre a chegada e o conhecer o quarto, era hora de jantar. Seguimos de tuk-tuk (o melhor de todos, o do Camboja bate os outros todos!), até ao Night Market, onde tudo se passa.
Osgas e lagartos onde há luz. É preciso habituar, não ligar. Nada disto faz mal.


Esta zona é gira, anda tudo à vontade, boa onda, bons restaurantes, comércio de rua e mais um apontamento novo: aquários CHEIOS de peixes pequenos, que fazem "massagem" e limpam e arranjam os pés, tipo pedicure. Até pode funcionar, mas naquele água devem entrar centenas de pés por dia. Por isso, "deixa estar"...



Antes do jantar, umas compras com a miúda mais simpática até hoje. Só se ria connosco. Portuguese sensation. em acção. Ela tinha 20 anos e falava bem Inglês. Às tantas eu disse "vamos nós beber um copo e deixamos aqui o meu amigo a tomar conta disto", ao que ela riu e adorou a ideia. Mais engraçado foi o Jota a sugerir o contrário, e ela a dizer que não. Ahaha, muito bom!


Regateámos com ela, mas no fim deixámos dinheiro a mais de propósito. Teve que haver fotografia, claro. Ela não tinha net nem mail, por isso deixámos os nossos e-mails para ela um dia poder contactar e receber a nossa fotografia. E ficámos de passar na noite seguinte, pelas 23h, hora de fecho das "lojas", para ela vir beber um copo, trazendo os irmãos.



E assim chegámos ao jantar, um restaurante, com muito bom aspecto e virado para a estrada, onde tocavam vítimas das minas, a quem comprei um CD para os ajudar. Eram amputados. A sua música fazia lembrar aquela que normalmente acompanha as demonstrações de capoeira.
Consegui comer um pouco de pizza.
O nosso tuk-tuk Nº4 aguardáva-nos, por isso lá fomos até ao hotel, enquanto negociámos com ele o dia de amanhã. Por $ 15 USD, e por nossa conta, das 8h às 18h, para nos mostrar Angkor Wat e afins.

Por isso até amanhã, que eu acordo cedo (ou neste caso, o Jota tem de me acordar cedo) e continuo muito, muito cansado.

19 comentários:

  1. É sempre bom continuar a acompanhar o diário. Inveja dos helicópteros (tenho um gosto especial, apesar de serem de guerra), gosto da parte das osgas e lagartos (esta osga já perdeu peças), e apesar de estares na merda ainda consegues esse sorriso :)

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  2. A ver se começo desde o princípio, que me parece bem, isto!

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  3. Duas palavras para ti: massagem tailandesa.

    Huuummmmmm?

    ...


    lol

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  4. Vais adorar Angkor Wat! Foi dos sítios mais fantásticos onde já estive! Ainda tenho o contacto do meu tuk tuk driver! Até me levou do hotel para o aeroporto no último dia! Eheheh

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  5. Aos poucos vou ficando com uma inveja da tua viagem :)

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  6. Com um "entendido" por perto, não percebo porque chamas aos rotores hélices e ainda por cima no feminino!

    Vais ter que ir para a recruta!

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  7. @Elsa, obrigado vezes dois ou três, tanta coisa boa :)

    @Tábua Rasa, vai ao link directo, é mais simples. Hope you like it.

    @Ca, prepara-te para as próximas fotos...

    @Rosa Cueca, ahahah, nada disso. Sou uma jóia de moço!

    @Jibóia Cega, vou adorar e adorei. Incrível...e ficou tanto por ver!

    @Vitto Vendetta, sim, mal frequentado. Só agora pensei nisso. Obrigado por me abrires os olhos. Não volto lá.

    @Cláudia, não tenhas, faz uma e vem contar as histórias.

    @Coronel, já fui, no Bootcamp! Nem o Rambo passava naquilo... De qualquer forma, penitencio-me...

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  8. Gostei, pois. Qualquer dia falo das minhas no meu estabelecimento :-)

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  9. @Tábua Rasa, sou suspeito, adoro histórias de viagens, com fotografias pelo meio.
    O próximo está para breve, next week maybe. Mas fica segredo.

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  10. Histórias não tenho muitas, não escrevi nenhum diário, mas tenho algumas memórias. Já comecei a preparar umas fotografias, depois dá lá uma vista de olhos.

    Entretanto continua com o teu diário, está muito bom :-)

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  11. @Tábua Rasa, memórias donde? E obrigado :)

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  12. EUA, Grécia, Itália, Tunísia, Espanha, nada de muito exótico (por enquanto)

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  13. @Tábua Rasa, muita inveja de EUA e Grécia (se incluir ilhas). E alguma da Tunísia, só porque não conheço e queria conhecer todos!
    Próxima viagem?

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  14. Inclui ilhas. Mas o céu estrelado no meio do deserto não lhes fica atrás. Próxima viagem... ainda não sei, não há-de ser este ano, infelizmente. Mas gostava de atravessar o Atlântico outra vez :)

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  15. (o primeiro já lá está, muito fraquinho mas foi o que se arranjou)

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  16. @Tábua Rasa, inveja, confirma-se. Este ano tenho que voltar a fazer uma grande, grande viagem e outra normal. Enquanto o meu mais velho não entra na faculdade...há que aproveitar.

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