Morte súbita, o coração e o desfibrilhador em Portugal

Morte súbita. Ou quase.
"Ah, o cabrão do Simão voltou a fazer um artigo sério, vou já mudar para o blogue onde ensinam a fazer crochet enquanto se faz o pino". 

Wowow, calminha oh Anónimo. Puxa lá a cadeira e ouve com atenção, que isto vai mais além.

Nas últimas semanas têm surgido notícias bastante tristes. Falo de mortes no Desporto. Não que sejam mais importantes que outras, mas estas têm o condão de nos chocar mais, por serem em directo ou por acabarmos a ver imagens de alguém que está a correr, a divertir-se...e de repente a vida termina num piscar de olhos.

O último desportista que perdemos assim foi Piermario Morosini, italiano de 25 anos. Caiu enquanto jogava pelo Livorno, na 2ª divisão italiana de futebol.

Piermario Morosini
Antes de chegar onde quero, trago neste caso porque trouxe-nos o que de melhor existe na vida. Morosini era jogador da Udinese, mas estava emprestado ao Livorno. No seu clube conheceu e tornou-se amigo do ídolo e capitão da cidade de Udine, Antonio Di Natale. Um fora-de-série que está num clube mediano de Itália desde 2004, mas donde se recusa a sair. Tem sido uma estrela época após época, marcando golos atrás de golos, sendo o esteio da equipa. 

Como seria a carreira dele se tivesse ido para um dos grandes? Não saberemos. Mas também já não precisamos. Di Natale ultrapassou tudo e todos. É maior que o futebol.
Para entenderem melhor, voltemos a Morosini. Perdeu a mãe aos 15, o pai aos 17. Depois o irmão , com problemas mentais, suicidou-se. Restou ele e a irmã Maria Carla, deficiente mental. Agora Maria Carla ficou sozinha. Ou talvez não.

Di Natale já requereu a custódia da irmã de Morosini. E parece que foi aceite.
Aos 34 anos, e apesar do dinheiro que tem, disse para ele próprio que ia fazer isto, com todas as implicações que terá na sua vida.
Não encontro grandes palavras para descrever tal acto. Se já o tinha em grande consideração por ser grande jogador e lutar numa equipa mais limitada, neste momento Di Natale ultrapassou as barreiras do futebol. É enorme. Gigante. E fico-me por aqui, porque pensar muito nestas coisas emociona-me. E eu não sou gajo para lamechices dessas.

Antonio Di Natale

Anónimo, acorda. Começa a ouvir a partir daqui.

Agora imaginem que alguém, em Portugal, sofre um ataque de coração e necessita dum desfibrilhador para lutar pela vida. Agora imaginem que existem poucos desfibrilhadores pelo país. 
Agora imaginem que um bombeiro, com um curso próprio para este tipo de acidentes, tem consigo um desfibrilhador que pode salvar a vida a alguém. Agora imaginem que, antes de utilizá-lo, tem de fazer uma chamada telefónica a pedir autorização para o utilizar. Agora imaginem que a autorização demora, em média, 10 minutos a chegar. 
Agora imaginem que uma espécie de borrachas que se colocam nas pás que ficam no peito, podem ou não ser utilizadas. E que apesar de garantirem melhores resultados, e porque custam cerca de € 40, muitas vezes não são utilizadas.
E agora imaginem que 10 minutos sem batimento cardíaco, são 10 minutos em que o sangue não vai para o cérebro. Agora imaginem que muitos dos que sobrevivem, acabam vegetais porque os danos cerebrais são irreversíveis, fruto dos minutos sem oxigenação do sangue.

Pronto. Agora imaginem que isto passa-se nalgum País de Terceiro Mundo.

E era só isto.


De qualquer forma, Obrigado Di Natale.

23 comentários:

  1. ó POC, tivemos esse caso cá em portugal!

    o Quique Flores também ficou com a custódia da irmã do Fehér!

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  2. Em relação ao Di Natale: Nobre! Não tenho muito mais palavras!

    Em relação a desfibrilhadores: autorização? Já agora façam com que as pessoas tenham de pedir primeiro autorização para morrer, para os 2 tempos coincidirem! Com tantas complicaçõezinhas da treta só dá mesmo para dizer: espero NUNCA me dar um treco desses ou parecido, e se me der que encontre alguém que não peça autorização e trate de mim e pronto, e se não encontrar, que morra duma vez!

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  3. A ver se os bem-pagos do futebol têm um ato de generosidade e trocam mais uma roupa de marca pela doação do valor, para que Di Natale possa cuidar da jovem.

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  4. Não conhecia esse Di Natale nem essa história toda, mas por aquilo que contas, sim senhor, é Grande!


    Quanto ao Imagina que...
    Entretanto já tinha morrido. É triste.

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  5. O altruísmo contido na acção do Di Natale vê-se cada vez menos, com muita pena.

    Quanto aos desfibrilhadores, é mais que ridículo. Brincam com a vida das pessoas. É como se recusassem tratamento médico, e os paramédicos devem-se sentir estupidamente impotentes por terem de pedir autorização por telefone quando têm ali nas mãos a vida de uma pessoa.

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  6. Gostei POC. Obrigada pelo post, dá que pensar.

    nAnonima

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  7. Daniel, fizeste-me soltar uma enorme gargalhada. Obrigada!

    ass: barbapapa

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  8. maria animada na ausência de danos cerebrais18 de abril de 2012 às 02:07

    Oi, MIGO!
    Vim visitar-te...
    Parei, sentei, estupefa(c)ta, boquiaberta e quase abanei, mas logo endireitei-me e pensei mil e uma coisas....
    Há...há!!!
    Apesar de......, valham-nos os Seres Humanos DOTADOS DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.
    Direi ainda, que os SERES que se disponibilizam aos OUTROS,são os mais felizes e mais ricos.....
    Os termos científicos,à luz da psicologia,a fim de analisar os comportamentos Humanos a que me referi no parágrafo anterior, pouco me interessam...
    "O FIM DO MUNDO" está mesmo a chegar mas é para os imbecis de espirito.
    Eu quero,logo acredito.
    Mtº. Obrigada, por partilhar, aqui no "recreio" o que de melhor existe.
    Bem haja por existir.

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  9. Ha uns anos atras tambem houve uma vaga de mortes subitas no mundo do desporto, foram uns quantos todos seguidos, caiam no chao mortos. Ao ponto de eu ter pensado, fazer desporto não é nada saudavel.

    2w

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  10. maria trólaró coquelaró18 de abril de 2012 às 07:26

    Bom dia!!!
    Viva a "ALEGRIA"(?)!!!
    -Despindo a alma(stripa?)...
    -Sonhando...(ai...ai...belisco-me?!.)
    -Acordei....sei lá se cheguei a dormir, mas "só sei que nada sei", MAS:;, -tenho a certeza que estou feliz (?!talvez), nãâna tenho sono e já, já alle que se faz tarde...
    -EU,si calhari nã tou mtº.beim...
    -Amigos só passei aqui nesta "espelunca" p´ra pedir desculpa, porqui nã sei mtº. bem escreveri nesta lingua... (felina!!!).
    Vamos mas é pró trabalho produzir...(mas nã em série, assim tido astesanato).
    Se, se, se, ...EU volto(quando tiver tempinho).
    Passem mtº. bem, Seus Maganos.

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  11. Grande lição! E grande homem o Di Natale...
    Sobre os desfibrilhadores, é uma tristeza. Sou socorrista e aprendi a usar o desfibrilhador. Mas se a minha mãe (ou alguém) tiver um fanico num centro comercial ou outro sítio, ao lado de um desfibrilhador, ou parto a caixa e uso sem autorização ou tenho que esperar que apareça um segurança com formação para o fazer...
    Se a coisa der para o torto, fico sarilhos: Ou porque o usei sem permissão, ou porque estraguei uma caixa, ou porque bati num segurança que demorou...

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  12. Ai... ai...
    "Bruta-montis"..., nã sabe, quem parte paga ou então fica no "pocilgo" afuçando o chão...
    Valha-me a santa puchenina!!!

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  13. Infelizmente estas situações são mais recorrentes do que imaginamos :(

    Estas noticias deixa-me a pensar que tal poderia acontecer com o meu irmao mais novo, passo a explicar:

    Ele faz desporto federado e nunca foram detectados problemas, até que ao inicio desta época detectaram uma alteração no ritmo cardíaco :(

    Resultado: Um cateterismo

    Acontece que se fizessem exames como deve ser aos desportistas poderíamos evitar estas situações.

    Por isso espero que o nosso país olhe bem para estes casos e mudem.

    Nota: POC epah tive mesmo de fazer um comentário XPTO, desculpa qualquer coisinha

    Vânia

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  14. Desculpa lá...têm que pedir autorização para utilizar o desfibrilhador??? Isso é sério? Comprovado??

    FODA-SE (aqui posso dizer foda-se não posso?)!!!!

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  15. "Acontece que se fizessem exames como deve ser aos desportistas poderíamos evitar estas situações."

    Este tipo de problemas está a acontecer a atletas de alta competição, de clubes de primeira linha onde, penso eu, os testes médicos feitos são a sério e exaustivos. Não me passa pela cabeça que um clube gaste 20/30 milhões de euros num jogador e não realize uma carrada de testes para se salvaguardar.

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  16. Deu a louca na capa di vez

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  17. Infelizmente está bom de ver que nem toda a ajuda do mundo o ajudou... mas assusta pensar na falta de meios técnicos do nosso país.

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  18. Pensando bem....
    Eu nem quero pensar nessas coisinhas e tbm eu cá na aldeia tenho esse "ladrilhador" e nem quero vê-lo por perto só porque sou uma "danaDONA".
    Agora, rapidinho, saio sem dar nas vistas.

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  19. Ahhh e tal nao gosto de elogios... mas vais levar com eles.
    Parabéns pelo post. Está bem escrito... foste ao "sentimento" sem parecer lamechas. Falaste de bola, mas deste a conhecer um outro lado. Quando se é bom no que se escreve, seja a abandalhar seja a falar sério, o público que te lê gosta sempre. Pelo menos eu gosto!

    Quanto à nossa realidade, foste brilhante! Não é tão má... mas roça!
    S.

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  20. Não sabia que ele tinha feito isso. Conheço pouco do Di Natale mas sei que é um senhor, e poderia ter ido muito mais longe. Pelo menos supostamente... porque mais longe que isso, nunca nenhum jogador há-de ter ido. Mas que grande senhor!

    Portugal enfim, não tem descrição possível.

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  21. manel + longe há-de ir (avion)22 de abril de 2012 às 07:44

    UI!ui!ui!
    Natale, nã fica para os lados da amazónica floresta?
    Tá-se a ver que eu nã vejo nada deste mapa....
    Vou p'escolinha....................

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  22. olá. Parabéns pelo post, pela parte de elogiares a condição humana, porque de resto fizeste várias confusões que não correspondem à realidade. Primeiro que tudo no caso de existir uma paragem cardio-respiratória nem sempre está indicado a utilização do desfibrilhador, mas está sempre indicada o suporte básico de vida, vulgo "compressões cardíacas+respiração boca a boca ou ventilação com ambu" que isso sim toda a população deveria ter formação porque pode efectivamente salvar vidas e manter a oxigenação do cerebro enquanto se espera por ajuda diferenciada. O DAE ou desfibrilhador automatico externo pode ser usado por bombeiros com formação especifica e pondera-se alargar a utilização a todas as pessoas porque aquilo vai informando dos procedimentos necessários. Mas o principal enfase deve ser na aposta da formação do suporte basico de vida, porque isso de facto pode salvar vidas e em qualquer situação, e quantos de vocês que criticaram a situação do desfibrilhador tem essa formação?

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