Jantar: a crise, a moda e a paciência (alguém adivinha?)

Tirando o Anónimo que não tem amigos, todos nós, com maior ou menor frequência, vamos jantar fora com a nossa malta. 

Em tempos de crise (e não só), tornou-se vulgar o "vou lá ter depois", o qual compreendo perfeitamente. Eu, aliás, já fui convidado para um casamento em que disse "obrigado, mas vou lá ter depois". 

De qualquer forma, a conversa do grupo vai parar normalmente ao "então e vamos onde?". Quando falamos de pessoas de bem, a coisa faz-se nas rulotes do Estádio da Luz. Quando tratamos com pessoas que não interessam nem ao Jorge Jesus, temos que marcar um restaurante não sei onde para comer não sei quê. 
E é aqui que a temática do "então e vamos onde?" se torna realmente fundamental.


Gosto dum espaço giro, simpático, acolhedor, que permita boa conversa. Se possível sem grupos de 24 amigos, porque mesas com tanta gente só mesmo com malta do Facebook, que tem centenas de amigos. E porque mesas dessas só permitem que, no máximo, parcelas de 6 pessoas falem entre si.
A comida convém que seja boa. E se não me forem fazer um assalto à mão armada à carteira, melhor. 

OK, é hora de não atirar mais palha nesta conversa: onde raio é que se vai jantar? Tipicamente, para o lisboeta, o jantar será feito num local:
  • barulhento;
  • de difícil acesso;
  • de parqueamento quase impossível;
  • onde se possa beber um copo a seguir;
  • onde passam 432860 pessoas por minuto;
  • onde quase não se consegue conversar tal a confusão;
  • onde não se pode sentar;
  • onde é moda.
Bem-vindos ao Bairro Alto.


Já lá foram durante o dia? É nice. Zona típica, com graça, com lojas diferentes. Sem as ruas completamente desgraçadas de lixo, podridão, assaltos, más companhias, droga e outros que tais. É giro, pah.

Já não tenho paciência (talvez derivado da idade) para a típica noite de Bairro Alto. De quando em vez, passa, e até passa-se bem. Mas não é "todos os fins-de-semana no Bairro". Como já não é "todos os fins-de-semana na discoteca".
Claro que se fosse turista, ia adorar uns quantos dias ali batido, apesar de não achar muita graça a ver não sei quantos tipos a urinarem na via pública, completamente na boa.


Mas sem a mota ou o táxi, torna-se um desafio à paciência uma ida a um dos locais icónicos de Lisboa. Mas atenção, tem bons restaurantes e alguns bons bares. Vêem-se muitas caras conhecidas (não as da televisão mas sim as de amigos ou conhecidos) e há sempre grande festa (gosto especialmente quando a malta se encontra no Bairro e são todos amigos de sangue, com um grande abraço), mas hey, não me digam que é um local espectacular para se estar, porque não é. E não é porque a moda leva tudo ao mesmo e torna os locais incomportáveis. Tal como uma discoteca absolutamente cheia torna-se desprezável, porque o conceito de discoteca (poder dançar ou conversar) fica comprometido.

Gosto do Bairro. Mas à 2ª, 3ª e 4ª feira. 


Fotografias roubadas daqui.

12 comentários:

  1. Eheheh post preparado com antecedência :-P

    Qualquer sítio/jantar/saída com muita gente (para mim muita gente não chega a dez pessoas) é de evitar, a probabilidade de haver um qualquer tipo de confusão é extremamente elevada. Ou isso ou acaba por não se aproveitar metade.

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  2. Lá para os lados de Cascais deve haver sítios melhores, não?

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  3. Cito e subscrevo "Gosto do Bairro. Mas à 2ª, 3ª e 4ª feira. " -e acrescento- especialmente se for de dia!

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  4. Concordo contigo em tudo. Devias começar a ir à Bica :p Não dá para te sentares, mas ficou muito mais agradável e com menos gente desde que o Cais do Sodré é uma "zona in"...

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  5. idem aspas aspas

    Eu até ja estou no extremo de nem sair ao fim de semana há anos (excepto se for um concerto, ou um aniversario que tem data especifica). So saio durante a semana, o ambiente é completamente diferente. Posso conversar com os amigos á vontade, até a musica que passa nos locais é melhor.

    2w

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  6. Como já uns anos que abandonei a zona, não posso emitir uma opinião abalizada, mas 5.ª feira era o melhor dia, aliás a melhor noite

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  7. Agora é mais croquetes no Sky Bar do Hotel Tivoli, não é?

    (Desculpa POC. Não podia deixar passar a oportunidade. ehehehehehehe)

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  8. Não gosto do Bairro, gosto do ambiente do Bairro, das pessoas que encontro no Bairro e dos copos que bebo no Bairro. Para jantar, gosto dos restaurantezinhos ali na Bica, calmos que só eles, onde como uma bela costeleta de novilho na brasa e bebo um sangria com travo a canela de chorar por mais, isto sem sofrer nenhuma assalto claro está!
    Para descontrair numa mesa com alguns amigos, numa noite boa de Verão prefiro a esplanada dos Meninos do Rio e se for par dar um pézinho de dança ao som de música porreira, sem atropelos e numa casa gira, escolho a Pensão do Amor no Cais.
    Aqui ficam as minhas dicas POC, não sei se frequentas tais locais, mas se não, devias experimentar!

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  9. Bairro Alto: nunca me atraiu. Mas conheço gente que sei queixa até mais não, no entanto continua a ir lá religiosamente.

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  10. Eh POC, é raro dizer isto: mas escreveste um post no qual concordo com absolutamente tudo o que dizes.Foi um post com uma crítica séria e acertada, parabéns! Gostei :P

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  11. Quer-me parecer que existem muitas semelhanças entre o Bairro Alto e aqui a Ribeira, no Porto. Pelo menos no cheiro a urina!...

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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