Utilização de vernáculo: a pontuação que faz falta?

Sou a favor da utilização do vernáculo. Aliás, bem utilizado, funciona como poesia para os ouvidos. 
É assim, por acaso não sou muito dado a poesias, mas se percebesse da poda, diria que o bom vernáculo pode efectivamente funcionar como tal.

Estando a recuperar do acidente, estou em casa há quase dois meses. Saídas, só ao hospital. Não vou lançar impropérios ao médico, certo? Isto para dizer que estes...têm sido tempos difíceis. Felizmente vai aparecendo um ou outro amigo, e por momentos, posso aliviar um pouco o stress. Mas não chega. 
É também nestas alturas que damos mais valor à liberdade.

Não sou asneirento. Nem sou mal educado. Não sou um Zézé Camarinha. Mas evidencio níveis muito elevados de macheza. E portanto, no momento certo, com a companhia certa, faço poesia. Eu e os meus amigos. Mais novos e mais velhos. Porque o vernáculo não tem idade.

Devo no entanto admitir... não me seduz muito ouvir uma mulher a fazer poesia sem restrições. Não que "não possam", claro que podem, mas em menor quantidade por favor. Chamem-me retrógrado ou machista, mas a utilização do vernáculo tem que respeitar determinadas normas: ser predominante no homem e não ser utilizado em vão, sob o risco de perder a magia. Afinal de contas, não queremos dizer frases sem a correcta pontuação.

Nunca me esquecerei daquele dia no Algarve. Eu, Filipe e Danilo, todos na casa dos 18/19 anos, apanhámos um táxi para irmos da discoteca para casa. O taxista estava visivelmente irritado. Foi a murmurar sozinho o caminho todo. Até que houve um momento que nos fez perceber que, sem o vernáculo adequado, nunca teríamos percebido a dimensão do seu problema. O taxista arrancou um "ina que granda foda...fodasse, 'tou fodido". Agora imaginem que ele tinha dito "ai c'oa breca, diabos me carreguem, estou numa situação deveras complicada". Ficavam alarmados? Claro que não!


E apareçam pelo Facenice do tasco, mesmo que seja para lançarem impropérios.

10 comentários:

  1. Estás a melhorar (piorar) os posts! Estás no bom caminho, um post do Benfica (blheeec!) e isto volta ao normal!

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  2. Eu utilizo o francês... "é como limpar o rabo com seda" ;)

    http://youtu.be/knFmjVf0jVk

    PS: As melhoras!

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  3. No dia em que me ouvem a disparatar em vernáculo, daquele mesmo velho, é porque atingi o limite que me faz esquecer que sou uma senhora bem educada. Acontece poucas vezes, mas não é bonito de se ver. Fora isso, não uso.

    Ah, depois há aquele que se usa só nos momentos de coiso e tal. :D

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  4. Digam lá se não tem um certo nível: "Nom de Dieu de putain de bordel de merde de saloperies de connards d'enculé de ta mère." ;)

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  5. Tens razão! Um palavrão no momento certo alivia bastante!

    Carla

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  6. O vernáculo é a pontuação que faz falta e a pontuação faz falta ao vernáculo.

    Exemplo: "Pó caralho, caralho!"

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  7. É sempre a mesma coisa, os homens podem ter 100 mulheres na vida, as mulheres devem ter 10 homens, e não dizer que vão daqui. Os homens podem aliviar a alma com asneiras cabeludas, as mulheres podem, no máximo, largar um "gaita, que maçada."

    (Concordo plenamente contigo. Uma senhora é uma senhora. De vcs não se espera tanto.)

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  8. Mau, mau, mau! Vai à MERDA!!
    Sou gaja, e pelo-me por dizer uma asneirinha!!!!
    Ass: anónimA

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  9. Na altura certa, faz milagres.
    Não sendo hábito, só em momentos chave! ;)

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  10. Um homem que faça do vernáculo a muleta gramatical ou articulador de discurso, perde todo o (eventual) encanto. Tal como uma mulher. De resto, depende dos momentos (há-os para tudo).

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