Se for preciso, dispenso o banco e os seus cartões

Bem visto. Mas alugar um cofre ainda deve sair mais caro. Mais vale investir num depósito a prazo no Simão Escuta (montante mínimo €10, sem possibilidade de movimentação do capital até 2124 e com 0,0% de juros. Para mais informações, consultar o Autor).
Deixo então um interessante artigo escrito por Daniel Oliveira,  no Expresso. 


"Não tenho nenhuma conta a prazo. Não tenho aplicações financeiras. Tenho duas contas à ordem. E ponto. Não entrego o meu dinheiro a nenhum banco para que ele jogue com ele, o invista ou o aplique em qualquer produto. Porquê? Porque não confio em bancos e porque o dinheiro que recebo pelo meu trabalho chega-me. Em resumo, sou, nestas matérias, doutros tempos. E um ser estranho para a cabeça de qualquer gestor de conta. Para além de usar o banco como mero veículo para receber o meu dinheiro, ou para o guardar, tenho crédito à habitação, pelo qual pago os devidos juros e restantes custos. E acaba aí a minha relação com a banca.

Mas a verdade é que tenho contas à ordem. O que significa que deposito o meu dinheiro num banco. Está lá, o que dá jeito ao meu banco, e eu não recebo qualquer dividendo por isso. Na realidade, até pago comissões e despesas de manutenção de conta - e tenho reparado que ela está impecável, bem tratada, limpinha e bem cheirosa, imaginando que os funcionários que tratam da sua manutenção emprestam bastante empenho a essa função. Assim como pago sempre qualquer coisa por qualquer coisa que faça. Na realidade, não conheço nenhum sector que se faça pagar por tanta coisa, mesmo quando não percebemos bem que serviço nos prestaram nesse preciso momento. Tenho também um cartão de débito e um de crédito. O de crédito uso apenas para compras que tenho de fazer na Net e, quando não há outra hipótese, para usar no estrangeiro. Como o dinheiro me é, para todos os efeitos, emprestado, acho bem que me cobrem por isso. O de débito é a forma de ter acesso ao meu dinheiro. Repito: ao meu dinheiro. Esse não é o banco que me empresta. Quando muito é o contrário.

Os bancos já têm lucro com os nossos cartões multibanco sem que nós lhes paguemos nada. Através das taxas que cobram ao comércio e que, por serem demasiado altas, começam a pôr em causa a vantagem de aceitar este meio de pagamento. E só o facto de nós usarmos o multibanco em vez de irmos aos balcões já permite aos bancos poupar 300 milhões de euros por ano. Mas como pode vir aí legislação europeia que fixa um limite máximo para os bancos cobrarem comissões à atividade do retalho, querem transferir esse custo para os clientes e cobrar uma taxa por nós fazermos os levantamentos em multibanco em vez de lhes enchermos as dependências de filas e os obrigarmos a contratar mais funcionários. Se não for possível, porque a lei não deixa, querem aumentar a anuidade dos cartões. Ou seja, poupam com a existência destes cartões, cobram ao comércio e ainda nos querem cobrar a nós. É ganhar a triplicar.

Eu não sou tipo para se zangar. Por isso, se tal acontecer, não protestarei. Pretendo apenas mudar a relação com o meu banco. Infelizmente não o posso dispensar totalmente, porque aqueles que me pagam não parecem ter grande vontade de regressar ao dinheiro vivo. Mas passarei a levantar todo o meu dinheirinho, duma só vez, de cada vez que o receber, na minha dependência, metê-lo num cofre e passar a andar com notas. Posso, claro, ser assaltado. Mas pelo menos não sou assaltado por bancos, mas por quem tenha algumas necessidades. Se uma quantidade razoável de pessoas começar a ter esta relação com os bancos talvez eles comecem a perceber que, ao ficarem com o nosso dinheiro, sem nos darem nada em troca, e ao trocarem funcionários por máquinas, já estão a fazer um excelente negócio connosco. Talvez não seja boa ideia tratarem a coisa como se fosse um favor que nos fazem a nós. É que, coisa que hoje parece absurda para muita gente, o nosso dinheiro existe sem os bancos comerciais. Já me parece mais difícil os bancos comerciais existirem sem o nosso dinheiro."

6 comentários:

  1. So para informacao. Vivo em Londres. Uso dois bancos. Tenho 3 cartoes e nao pago um tusto. Nao me venham com historias.

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  2. Na Holanda praticamente não usamos dinheiro vivo; até uma pastilha elástica pode ser paga com multibanco; porquê? porque não são cobradas taxas.
    Lá só tenho conta num banco, tenho dois cartões e não pago um chavo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Bom, nem sei por onde começar, sem ofender o autor deste artigo.
    Sou Private Banker e, inerente à própria função, faço gestão do património financeiro dos clientes do banco (acções, obrigações, fundos de investimento e depósitos a prazo).
    Eu até poderia entender que, no final do Século XIX (não do passado), existisse este pensamento e em localidades "remotas", atrás do sol posto. Mas hoje me dia?!
    Poderia falar de muita coisa, mas aponto somente duas:
    1 - o autor tem dinheiro e, pela sua postura perante os bancos, abdica de receber uns simpáticos juros (portanto, um dinherinho extra para juntar aos seus rendimentos), só porque não gosta dos bancos. Fala de barriga cheia. É inevitável lembrar-me daqueles que nada têm e das dificuldades que passam. Olhe, uma sugestão: aplique o dinheiro que tem e ofereça esses juros a instituições de caridade. Milhares de pessoas agradecem;
    2 - Curiosamente, porque precisou de dinheiro para comprar a sua casa, recorreu a quem?! Não, não pode ser... Pois, a um banco. Quem diria. Olha, toma lá não sei quanto e vai comprar então uma casa. É muito feio dizer mal a quem nos ajuda, ainda que nos cobrem os normais juros inerentes a esse empréstimo. Mas esperavam o quê?!

    Ainda que concorde com a questão das taxas e/ou despesas cobradas (algumas são um absurdo), há muita oferta no mercado e alguns bancos praticamente nada cobram. Mas, com o resto que escreveu, wake up and smell the coffe... Hello!!!!!!!

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  5. Não consigo entender qual é a ajuda que o banco dá num empréstimo habitação, qualquer dia eu compro um carro e ainda vem a Renault dizer que me ajuda por me ter vendido um carro. É a mesma história dos empregos criados pelos empresários, bullshit de um país atrasado 40 anos em relação ao resto da europa.

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  6. Rusty Ryan,

    Explica aqui ao pessoal o que são reservas fracionadas do sistema bancário, ok?

    Agora mete a tua conversa de vendedor de banha da cobra no rabinho.

    Agradecido.

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