A Marinho Pinto, aos portugueses, à Ana Carla (FAQ's e ideias sobre diferença entre abstenção/voto nulo/voto branco)

Ultimamente não tenho estado preparado para falar com propriedade sobre política, mas vou soltar o Miguel Sousa Tavares que há em mim (que está habilitado a falar sobre o que quiser) e conquistar a plateia de tal forma que vou ganhar assento directo no Parlamento. Ou no Parlamento ou no 413 que liga Manique ao Estoril.

Gastei algum tempo a estudar, investigar e pensar na diferença entre não votar, votar em branco e votar nulo. Não posso afirmar com certeza o que vou dizer, visto que existe um tipo de vazio informativo (talvez propositado) acerca deste assunto. Fica a minha opinião, aberta à discussão e à possível mudança, que respeita todas as opções. Excepto a abstenção literal, a do “não quero saber, sou um pau mandado”.

- Abstenção -
Votar é um dever cívico. Não votar pode eventualmente ser um dever moral. A linha que separa estes conceitos é mais ténue do que pensava. Não votar impede as pessoas de se manifestarem, terem uma opinião, reclamarem? Não. Se têm menos legitimidade que as outras que votaram? Talvez.
A grande (suposta) vantagem de não se votar é não financiar directamente os partidos, mostrando assim, duplamente, um sinal de protesto. Cada voto vale dinheiro (muito) e é canalizado para os partidos (se voto PSD, o dinheiro vai para o PSD; se votar branco julgo ser proporcional para todos). A possível desvantagem é que, se os partidos não se financiarem desta forma legal, provavelmente vão fazê-lo (ou fazê-lo com maior incidência) através dos “arranjinhos” do costume.

- Voto Branco -
Supostamente outra forma de protesto, quando na verdade, em teoria, estamos apenas a dizer “não sei, tanto faz, ganhe o Manel ou o António, para mim serve”. O que, efectivamente, não serve a ninguém.

- Voto Nulo -
Das duas uma: ou somos burros e achamos que dá para colocar duas cruzes, emendar votos e etc., ou estamos a protestar. Ou seja, para protestar, temos de invalidar o boletim (cortar, riscar, escrever uma mensagem – “SLB Campeão dos Campeões” serve). A diferença para o Voto Branco é exactamente mostrar que “tanto faz quem ganha” não é solução. Em princípio, prefiro um Nulo a um Branco.

Resumo: estatisticamente, não fazemos diferença quando optamos por uma das 3 soluções apresentadas. Não impedimos nada. Não fazemos um “rebenta a bolha” nas eleições. Se votarem apenas 10 pessoas no País, a legitimidade da eleição é a mesma da que se votarem 9 milhões.


Secção de Perguntas e Respostas (FAQ's) para ajudar o eleitor Português


“Então, como vou votar em consciência?” POC ensina.
Todos os políticos, sejam de esquerda, centro ou direita, estudaram nas mesmas escolas, aprenderam o mesmo, uns mais inteligentes ou perspicazes que outros, mas, na prática, tecnicamente todos sabem o mesmo. Na minha opinião (que é sempre a mais acertada, modesta e humilde – como o Cristiano Ronaldo), mais do que votar em partidos e olharmos para partidos, devemos olhar para a pessoa. O que fará realmente diferença é a formação do indivíduo, o carácter, os princípios.

“Mas é tudo uma cambada ó POC, todos iguais!”. POC concorda em parte e esclarece.
O sistema político está viciado. Muitos jovens vão para as Jotas já a pensar no tacho. Vão para as Jotas como candidatura a emprego, tirar um curso superior é apenas porque é suposto, mas não é o mais importante, até porque depois dá-se um jeito se for necessário (Sócrates, Relvas, etc.). Não querendo generalizar, muitas pessoas vão para a política pelos motivos errados. Mas tão ou mais grave é outro ponto: os partidos elegem os seus cabeças de lista de forma não democrática (a excepção é o novo LIVRE, que o meu amigo Flip comparou, e bem, a uma espécie de “primárias” nos Estados Unidos), ou seja, aberto aos interesses do costume. Basicamente, quem chega a determinado lugar num grande partido, teoricamente só lá chega se já tiver a lição bem estudada e encomendada: safar amigos, fazer negociatas estranhas, etc..

“Então em que ficamos?” POC não sabe. Mas faz o que pode.
Votar fora dos partidos tradicionais pode ser uma opção. É giro votar num partido que só trata dos animais ou da Natureza, mas não chega (faz sentido a existência e até gostava que tivessem assento nalguns momentos, porque realmente é necessário proteger os animais e Natureza dos Animais). Voltando atrás, talvez votar num partido “normal”, mas novo, seja uma boa solução. Um como o de Marinho Pinto.

“O quê? O Marinho Pinto? Mas ele não tem swag para isto!” POC põe os pontos nos i’s.
Eu não disse para votarem nele. Pessoalmente até acho que não tem perfil (mas hey, o que é mesmo ter ou não perfil?). Diz coisas que não serão as mais correctas. Di-las de forma pouco elegante. Terá utilizado o cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados para além das suas competências, deixando má imagem junto dos mesmos. Tudo isto é legítimo. Mas também me parece claro que já disse coisas certas, já mostrou ser contra algumas das poucas vergonhas que se fazem por este País.
Marinho Pinto foi o grande vencedor das eleições de ontem. Sem dúvida. E por isso, parabéns. Comparo-o ao Sporting de Lisboa nas últimas eleições: elegeram um Bruno de Carvalho que era um corte com o seu passado visconde (mas que mantém o nível do ridículo) porque já estavam fartos de esquemas.
Se acho que é esta a solução no futuro? Não. Mas compreendo-a. Porque olhando para tudo o que mexe, este não parece ser igual (para o bem e para o mal).
Com isto, quero dizer olá à minha amiga Ana Carla, dizer-lhe também que, por vários motivos, espero vê-la como assessora de Marinho Pinto. Nem que seja para o Departamento de Coisas.

“E o nosso Dom Duarte, que tem a dizer disto tudo?” POC também não sabe, porque não tem falado com ele, mas também tem umas palavras para vocês.
A Monarquia, da boa, não quer dizer que seja uma má solução. Porque um bom Rei também se aconselha, também ouve os diversos quadrantes. Digo mais: o verdadeiro monarca não alinha em lobbies e esquemas. O problema é que o Rei é só um, não há grande escolha, é brincar à política com moeda ao ar, pode vir numa colheita boa ou numa péssima. Imaginem que o Rei é fumador e atira as beatas para o chão. Não pode ser um bom líder. Continuo na democracia.

“Isto já vai longo e eu tenho mais que fazer. Notas finais por favor.” POC concorda e assente.
Pegando nas palavras sobre a Monarquia, importa dizer outra coisa: é que o verdadeiro democrata também não alinha em lobbies e esquemas. A política está suja, está ferida de morte.
De ontem, podemos concluir que os portugueses votam anti. Votam anti Governo, mas sabem que quem está à espreita não é melhor. Sentem não ter escolha. Os grandes (PSD/PP e PS) perderam em toda a linha.
Infelizmente lembro-me de Isaltino Morais. Um aldrabão (não sou eu quem é o diz, é o Tribunal). Roubou mas Oeiras cresceu. Se na política são todos aldrabões, então que governem da prisão, mas ao menos façam do País uma Oeiras em condições (editado: para não induzir em erro, não podemos ser governados por Isaltinos, o lugar deles é na prisão e o povo devia apupá-los, não aplaudi-los. Uma vergonha).


Mais a sério, façam o que fizerem, façam-no em consciência. Não sejam extremistas. E comam um bitoque.

21 comentários:

  1. A abstenção é ainda uma forma de dizer que é contra o sistema ou regime. Não faz sentido um monárquico ir votar em eleições presidenciais, por exemplo. Ainda que fosse votar em branco, estaria a legitimar a existência de uma república.
    É esta a principal diferença em relação ao voto em branco, onde se aceita o sistema/regime mas não há identificação com nenhum dos candidatos.

    O bitoque, por seu turno, é imprescindível.

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    1. De acordo, daí que votar em branco me parece sempre a pior opção.

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  2. Voto sempre em consciência. Embora não tenha ainda comido o bitoque. Acho que é hoje.

    Um comentário mais sério (para ver se este tasco fecha) - não concordo com a cena do rouba mas faz. Rouba, vai para a cadeia, paga por isso. Não o rouba, vai para a cadeia, mas continua a 'mandar'. E se voltasse a candidatar-se a cargos públicos, escrutínio constante.

    R.

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    1. Óbvio que também não concordo. Até já editei essa parte do texto para não levar ao engano.
      Acrescento ao que disseste: talvez até devesse ficar proibido de voltar à vida política. Forever.

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    2. Não pensei que concordasses, mas foi boa ideia deixá-lo claro no post. E tendo a pensar que sim, talvez devessem ficado proibidos de voltar a assumir cargos públicos.

      R.

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  3. Não concordo com o voto nulo, na prática transiste a mensagem de que houve intenção de voto mas nenhum dos candidatos era adequado na óptica do eleitor. Quanto ao Marinho Pinto gosto do senhor, não tem medo de formular opiniões contra o que pensa ser menos correcto e tem uma posição bastante vincada em alguns assuntos importantes, por outro lado também concordo que não tem o típico perfil de de político mas se calhar são mais assim que fazem falta! A política é um ciclo vicioso quem lá entra já tem muito do caminho traçado por quem saiu e será muito difícil seguir noutras direcções mas com tempo e com pessoas capazes lá chegaremos, tenho esperança!

    Quanto ao bitoque, não fosse estar de cama e sem poder comer, e lançava-me já a ele.

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    1. Calculo que se estivesse a referir ao voto em branco, não ao nulo.
      As melhoras. O bitoque pode ajudar.

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    2. *voto nulo = voto branco
      *transiste = transmite

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  4. Muito bem visto POC! Na minha opinião temos é de acabar com os partidos. Todos! Mandamos vir bons gestores, de países que estão bem melhores que nós, que por norma são mais honestos, civilizados, menos corruptos e governam o pais, não se governam a eles. Qualquer coisa como países nórdicos, suíça, sei lá! Nós Portugueses somos tão bons como os melhores. Não temos é quem lidere em condições e nos faça acreditar que é possível. Como uma equipa de bons jogadores precisa de bons dirigentes e treinadores, um pais de gente boa precisa de lideres honestos e bons que apontem o caminho. O resto depende de nós. E vou ao bitoque que se faz tarde. Abraço. A.Ferreira

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    1. Boa analogia A. Ferreira. Devíamos contratar o Messi e o Cristiano da política.

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  5. Eu voto sempre em consciência, mas as opções de voto parecem-me cada vez mais limitadas.

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    1. Discordo. O bitoque pode vir sem arroz e só com salada e batatas fritas. Perde-se um pouco da mística, mas o bitoque subsiste. É uma opção.

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  6. Eu ia ler, mas o post é tão longo que perdi logo a vontade (só gosto de coisas longas e demoradas em situações especiais). Mas, como o menino é pessoa que sabe sempre do que fala, vou só dizer que esteve muito bem.

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    1. Se isso era um elogio, até levo a mal. Caso contrário, obrigado pelo mesmo.

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  7. Para mim, neste momento, a prioridade é o bitoque. Preciso de sustento para ter força anímica para soltar tudo o que tenho a opinar sobre isto. ;)

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    1. A cavalo. Com ovo a cavalo. Depois se resultar, é vir opinar.

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    2. Olá Simão.
      Aqui vai a opinião do Sousa Tavares que também existe em mim, em modo resumido:
      1 - A Democracia, (demo=povo e kracia=governo), para ser saudável implica a participação de todos. O que temos é uma versão anémica, porque uma imensa maioria divorcia-se dos seus deveres e direitos enquanto cidadãos, (votar é apenas um aspecto de todo o pacote). Joga-se ao passa a batata quente.
      2 - Abstenção: concordo totalmente quando afirmas que a grande vantagem "é não financiar directamente os partidos". Pelo lado negativo e bem real, tão elevada abstenção permitiu que diversos partidos europeus de extrema direita conquistassem uma posição bastante significativa. Acredito que estes não passariam de uma minoria se todos tivessem ido às urnas. Pessoalmente temos pelas consequências. A quem se absteve pergunto, valeu a pena?
      3 - A política, a governação, a gestão da nação, não é dos políticos, é de todos. É importante educar neste sentido. Todos os cidadãos têm a liberdade, o direito, de apresentarem propostas alternativas às vigentes.
      4 - Temos o dever de agir de acordo com a nossa consciência. Questionar tudo, sempre. Pensar pela própria cabeça. Queremos um mundo de livres pensadores.
      5 - As "jotas" assustam-me, por tudo o que afirmas também. Lembram-me seitas onde se fazem lavagens cerebrais.
      6 - Eu votei, em consciência. Dou-me sempre ao trabalho de ler as propostas dos partidos e reflectir sobre estas. Não sou militante de partido algum, prezo ser livre pensadora. Por acaso votei PAN, e há que desmistificar a noção sobre este partido: o seu universo não se restringe à causa animal, embora também me seja uma causa querida, tal como banir a Monsanto, travar a privatização da água, entre muitas outras.
      7- Para concluir, não tenho nada contra o D.Duarte e a Isabelinha, mas soluções do passado para mim são como os "ex": se não resultou antes, não resulta agora. O pessoal tem a memória curta, e há a mania de fazer o mesmo que se faz aos defuntos: depois de mortos tudo e todos são bestiais, só qualidades. Eu quero, anseio por um novo paradigma!
      E é isto :)

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    3. Fantástico, o bitoque fez mesmo efeito. Eu aviso, mas as pessoas não acreditam.

      Quando falei (indirectamente) no PAN, tinha noção que não era somente relacionado com animais/Natureza, mas não li a proposta em si, li um resumo.
      Mas gostei do seu comentário. E parabéns por essa atitude.

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    4. Obrigada Simão. :) Foi do ovo!

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  8. Há muito que deixei de acreditar nos políticos e a melhor forma que encontrei para não me envolver com essa gente, foi deixar de votar...a última vez, foi na reeleição do Sampaio.
    Por mim ías para o Parlamento, mas como para lá chegares, terias que dobrar a espinha e entrar nas negociatas, acho que o melhor é apanhares o 413 e depois comeres um ganda bitoque...se for como o que comi ao jantar, é muito mal passado ;)
    Abraço

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    1. Depois dessas palavras, vou mesmo para o Parlamento. Vou é no 413 (Cascais - Estoril - Manique - Tires - São João - Cascais) e só saio na paragem do Parlamento.

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