TAP (Take Another Plane) ou a reportagem de onde fui alojado em Moscovo, durante a greve

Agora que já ninguém fala no assunto, falo eu.

Não me vou alongar muito nos motivos para existirem ou não greves. Por um lado, no privado, dizem “haviam de ser privados para verem o que era trabalhar… não existiam cá greves!”. No público dizem “mas temos direitos e devemos lutar por eles”. Regra geral, estão ambos certos e o chamado meio termo é realmente a solução para quase tudo. Disse regra geral, porque mesmo com casos absolutamente contrários (e serão muitos), um funcionário público, da TAP e etc. tem uma vida santa a comparar com a maioria.

Sou a favor dos direitos dos trabalhadores. Patrões que nos tratam sem respeito (ordenado, ambiente no trabalho, prepotência, etc.) só merecem é ficar trancados com o Paco Bandeira, o Pinto da Costa e a Katia Aveiro. 24 horas de um arraial de porrada, bufas e azeite dão cabo de qualquer um.
Mas também sou a favor do bom senso. Por isso disse 24 horas em vez de 25.

Bom, agora que estamos todos de acordo (…), vou contar-vos como é que TAP tratou bastantes passageiros que não tiveram avião.

Com regresso às 0500, a TAP, já sabendo há muito tempo que não ia existir voo, não contactou nenhum passageiro. Sabendo que o check-in ia encerrar bem antes da hora do voo, apenas se dignaram a falar com os passageiros à hora da descolagem que não existiu. Ou seja, obrigaram toda a gente a ficar horas à espera, durante a noite. Quando já nada havia para esperar.
Uma russa, que falava bem Inglês, disse que viria alguém da TAP falar connosco. Afinal já não havia ninguém e seria mesmo ela. Às 0505 ela saiu de trás do balcão e quem quis acompanhou-a, percebendo que íamos para um autocarro e que teríamos voo às 1600 (que acabou por ser mais tarde).
Chegados ao autocarro ela foi embora e entra um russo, a falar russo, a dizer cenas. Nisto, os passageiros russos apercebem-se “ui, o Senhor POC está a ficar arreliado, vamos traduzir o que o urso está a dizer”. Então íamos para um hotel (não muito perto) e teríamos que estar às 1200 na rua para regressarmos ao aeroporto.

Chegar ao hotel (oi?), contemplar a maravilha, dormir e acordar para ir ao pequeno-almoço (oi?) deu direito a 4 horas e pickles.

E é aqui que fica giro. Um tipo paga um voo da grande companhia área de bandeira, espera ser bem tratado, certo malta? Errado. Sei que os passageiros do voo de 1 ou 2 dias antes ficaram hospedados com qualidade. Mas nós? Nós ficamos aqui:







1 casa-de-banho por cada 4 quartos. E como é que é a casa-de-banho? Calma… são metade mais metade. Numa metade podem fazer um xixizinho. Na outra metade podem lavar as mãos e tomar banho. Podem é ter o azar de irem fazer o número 1 ou número 2 e depois ficarem à espera que alguém termine o seu banho revigorante.

Se tivesse pago uma low cost compreendia. É a vidinha. Mas na TAP? Inadmissível. Parecia que estava a dormir no Marine Keskus (na Estónia, fica para outras núpcias a reportagem).

Parte do meu coração está na TAP, mas eu, como cliente, não tenho nada que ver com greves, problemas internos, etc.. Eu pago e tenho de ser servido e bem servido, tal como contratei. Não quero saber qual dos 10 sindicatos (eles até devem ter um sindicato dos sindicatos) está a protestar, não quero (até quero) saber quem tem razão, não quero saber se são os motoristas dos aviões ou os assistentes de bordo que querem melhores condições. O que eu quero é receber pelo que paguei.
Quando fico sem net em casa, não quero saber se foi um tipo que adormeceu em cima da tecla “Ligar/Desligar” lá na empresa dele. Não quero saber se foi uma avaria. Não quero saber se alguém está em greve porque é mal pago e sabotou o serviço. Eu pago, quero o meu serviço. A empresa que faça o que entender, mas que garanta que o cliente não seja prejudicado ou, a sê-lo, que seja da menor forma possível.

E pronto, é por isto que a imagem da TAP fica afectada. Para sempre. E muita coisa vai ter de mudar.
Para já, TAP é sinónimo de Take Another Plane. Só em último caso voltarei a viajar com eles. Prefiro pagar mais um pouco e garantir os meus voos. Quem é que me diz que em Abril, quando for para a América do Sul (comprando com muita antecedência), não estarão novamente em greve? …


#paunocudaTAP
#privatizaçãojá

4 comentários:

  1. GOLD!

    Escusavas era de pôr fotografias do hotel onde ficam os produtores de humor do Lumiar, nos jogos fora!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A TAP precisa é do Cota do Bigode a pôr ordem naquilo.

      Eliminar
    2. E do polícia de Guimarães para quem resistir à sodomia

      Eliminar
  2. Só espero que seja bem vendida!
    Quanto à greve, 10 dias? Inadmissível.

    L'homme  |  Blogue  |  Facebook  |

    ResponderEliminar