Em Espanha também gostam do Questiano Azeiteiro, mas não
deixam de colocar o dedo na ferida (ao contrário de cá) quando julgam ter
motivos para isso. Por exemplo, o Benfica foi incrivelmente prejudicado na
final da Liga Europa, mas a comunicação social portuguesa preferiu elogiar um
tal de Beto, um imbecil em forma de jogador de futebol. Em paralelo, quando o
FCP é prejudicado num lance europeu - e só num - a comunicação social
portuguesa faz capas e notícias de abertura porque o suposto melhor não ganhou
e foi roubado. Já em Espanha, e ainda a respeito da final contra o Sevilha, apesar
de estarem obviamente felizes, disseram de forma clara que tinham sido beneficiados e
que existiram erros muito graves durante o jogo. Mas isto é só uma introdução,
calma.
Voltando a Cristiano, e frisando que nunca coloco em causa o
seu valor futebolístico, deixo mais uma prova inequívoca de como ele, num
desporto colectivo, tem as prioridades trocadas. Ou, pelo menos, deixo mais uma prova
onde fica explícito o seu egocentrismo desmedido, ridículo e lamentável. E, tal
como na final da Liga Europa, também aqui são os espanhóis a “reclamarem”.
O cenário é a final da Liga dos Campeões, a maior prova do
mundo, aquilo por que qualquer jogador sonha.
Derrotados, no desconto de tempo, Sergio Ramos salva o Real
Madrid e marca o golo mais importante de toda a época, talvez o mais importante
dos últimos 12 anos de história dos merengues. Toda a equipa fica louca e
festeja efusivamente. Cristiano nem se mexeu. Foi o único elemento do Real
Madrid (desde o roupeiro, ao jogador, ao adepto e ao simpatizante português do
Ronaldismo) que não festejou. O único. A nível mundial. Exagero meu? Lamento,
mas nem por sombras. Aliás, para quem segue o fenómeno do futebol, sabe que é recorrente Cristiano não festejar golos de colegas, ou, pelo menos, festejá-los com verdadeiro entusiasmo.
O seguidista ridículo de Ronaldo (aquele português que acha
que temos de gostar dele só porque sim, sem conseguir argumentar) vai dizer que
é montagem ou que ele estava concentrado na reviravolta. A questão é que não é
montagem e quando se está concentrado na reviravolta, vai-se buscar a bola à
baliza, sempre com “pica”, com ganas.
A prova:
Porque Cristiano não se mexeu? Simples: porque não foi ele a
figura do jogo. Porque a decisão não foi dele. Porque lhe roubaram
protagonismo. Já quando marcou um golo sem absolutamente relevo nenhum, com o
jogo fechado, festejou da forma ridícula que viram. E porquê? Porque sabia que
estavam, durante a final, a fazer um filme sobre ele. E, mais importante,
porque o que ele estava a festejar não era a vitória, era ter batido um recorde de Messi.
Já contra Espanha, na decisão por penaltis, Cristiano quis
marcar o último penalti para ser ele a estrela. Prejudicou o País (juntamente
com quem permitiu que isso acontecesse – Paulo Bento) e, como paga (que os
portugueses não mereciam), nem chegou a ter direito a marcar o suposto penalti
da vitória… porque já tínhamos sido eliminados antes (os melhores marcadores de
penaltis marcam sempre os primeiros, é uma questão de probabilidade de vitória,
não de sorte ou azar).
Gosto muito dele futebolisticamente, acho que tem todo o
valor do mundo, é um trabalhador incansável, e sem discutir o dinheiro
exagerado que se movimenta, merece o que tem. Passou por dificuldades na vida,
veio sozinho para Lisboa em miúdo, vem de origens humildes, o que quiserem. Tudo
verdade. Mas nada, nada justifica estas atitudes. Nenhum colega de equipa gosta
de ver ou sentir isto.
Se eu estivesse numa final daquelas, festejava que nem louco,
mesmo que o golo fosse do Passos Coelho.

